Fugitivo britânico suicidou-se ao fim de uma semana a ser perseguido pela polícia

10.07.2010 - 10:41 Por PÚBLICO
O fugitivo britânico Raoul Moat suicidou-se hoje de madrugada, depois de um confronto de seis horas com polícias armados.
Um porta-voz da polícia disse que o homem, de 37 anos, se suicidou num campo em Rothbury, pequena vila a 40 quilómetros de Newcastle (Nordeste da Inglaterra). O óbito foi confirmado no hospital pelas 02h20 (hora local idêntica à de Lisboa).
Anteriormente, a polícia confirmara que não tinha disparado tiros e que nenhum dos seus elementos ficara ferido.
Os agentes tinham estado em vão a negociar com ele, que se encontrava encurralado perto de um rio, em Rothbury, depois de uma semana de perseguição.
Peter Abiston, cuja casa é sobranceira ao local do incidente, afirmou à BBC: “Do que vejo, o homem disparou sobre si próprio. Estendeu-se e suicidou-se”.
Raoul Moat fora visto pouco antes a apontar uma arma ao pescoço.
Outras pessoas da zona ouviram parte das negociações entre ele e a polícia, antes de haver tomado a atitude decisiva de se matar.
O prioprietário de uma pensão, que não desejou que o seu nome fosse revelado, afirmou à BBC que ele dissera que o que o preocupava era não ter tido um pai que o acompanhasse ao longo da vida; e que acrescentara: “Ninguém quer saber de mim”.
A polícia explicou que o indivíduo, que chegara a trabalhar num clube nocturno e que tinha três filhos, disparou precisamente pela 01h15, tendo sido levado de ambulância para o Hospital Geral de Newcastle, onde faleceu logo a seguir à chegada.
Fora ao fim de sete dias de uma das maiores caças ao homem de que há memória no Reino Unido que a polícia conseguira encontrar o antigo segurança de discotecas que lhe declarara guerra depois de ter baleado a ex-namorada e matado o seu companheiro. Nas operações estiveram centenas de agentes, carros blindados, helicópteros e meios do Exército.
Tratou-se de um desfecho dramático para uma banal investigação de homicídio que se transformou numa megaoperação de segurança. A reviravolta aconteceu no domingo, um dia depois de Moat ter baleado a ex-namorada e o companheiro, que viria a morrer pouco depois. Num telefonema para a polícia, avisou que iria voltar a matar, desta vez um agente, mas o visado acabou por sobreviver, apesar dos ferimentos graves.
Matara namorado de ex-companheira
Numa segunda chamada e em duas cartas que escreveu depois, acusou a polícia de lhe ter destruído a vida – esteve preso antes de matar o namorado da ex-companheira, que acreditava ser um agente – e avisou que não iria parar “até ser morto”.
Desde terça-feira, a perseguição centrava-se nos campos que rodeiam Rothbury, onde o carro do fugitivo foi encontrado. A vila foi cercada, os habitantes receberam ordens para ficar em casa e agentes de sete forças policiais distintas começaram a bater as quintas e florestas vizinhas. Descobriram uma tenda que usou para passar a noite e vestígios da sua passagem. Seis pessoas foram detidas por suspeita de o ajudarem na fuga, incluindo dois acusados de cumplicidade na tentativa de homicídio do agente policial. Mas Moat parecia diluir-se na paisagem e a polícia admitia que ele tinha conhecimentos para sobreviver sozinho, na floresta, durante muito tempo.
Sob pressão, as autoridades não pouparam esforços para apanhar um homem que descreviam como “armado e perigoso”: ofereceram um valor recorde (dez mil libras, quase 12 mil euros) por informações que levassem à sua captura e requisitaram meios nunca antes utilizados neste tipo de operações. O jornal “Daily Telegraph” noticiou que “um décimo dos agentes armados” do Reino Unido estavam envolvidos na perseguição, o “Guardian” revelou que 20 carros blindados foram enviados da Irlanda do Norte e o Ministério da Defesa confirmou que um caça Tornado equipado com sistema de detecção térmica participou nas buscas.


