Fuga de informação do WikiLeaks é "um crime grave", diz Casa Branca

29.11.2010 - 15:50 Por Clara Barata, Maria João Guimarães
A publicação dos telegramas diplomáticos norte-americanos orquestrada pelo site WikiLeaks é “um ataque contra a comunidade internacional”, disse a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, enquanto o porta-voz da Casa Branca denunciou este acto como "um crime grave".
Os Estados Unidos estão a tomar “medidas agressivas para que os responsáveis respondam pelos seus actos” e“lamentam profundamente” a divulgação de material classificado nesta fuga de mais de 250 mil documentos do Departamento de Estado – telegramas usados para comunicar entre as embaixadas norte-americanas e Washington.
Esta fuga de documentos confidenciais da diplomacia americana constitui "uma grave violação da lei e uma ameaça grave para os que conduzem e os que apoiam a nossa política exterior", sublinhou por sua vez Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca.
“Alguns, enganados, podem aplaudir os responsáveis por este erro. Mas não há nada de louvável” nesta divulgação, disse Clinton, numa conferência de imprensa no Departamento de Estado. Da reacção do Presidente Barack Obama sabe-se o que contou Gibbs: "Ficou no mínimo descontente, quando foi informado, na semana passada, da publicação iminente dos 250 mil telegramas".
Em vez de uma fuga de informação destinada a revelar uma solução intolerável, que deva ser denunciada e conhecida pelo público, “pelo contrário, o que está a ser exibido com esta quantidade de documentos é a actividade dos diplomatas americanos, a fazerem aquilo que devem fazer, aquilo que esperamos que façam... devíamos ficar orgulhosos”.
Fugas de informação deste tipo “ameaçam o funcionamento responsável de um governo”, disse a secretária de Estado, citada pelo site do jornal britânico “The Guardian”, que acompanha o seu discurso em directo. “Todos os países, os EUA incluídos, devem poder ter um diálogo honesto e privado com outros países sobre assuntos de interesse comum. Quando alguém quebra essa confiança, todos ficamos a perder.”
Investigação criminal em curso
Antes, já o procurador geral Eric Holder tinha garantido estar “em fase activa uma investigação criminal” sobre a divulgação de documentos classificados da Administração norte-americana pelo site WikiLeaks, e as autoridades processarão quem for considerado responsável.
“A investigação está a decorrer em conjunto com o Departamento da Defesa”, disse Holder, numa conferência de imprensa. “Não estamos ainda prontos para anunciar resultados dessa investigação.”
Esta não é a primeira vez que o site WikiLeaks divulga fugas maciças de informação da Administração norte-americana este ano. Só em Outubro publicou 400 mil ficheiros secretos sobre a guerra do Iraque, e em Julho publicou dezenas de milhares de ficheiros sobre a guerra no Afeganistão. Tudo isto sem que o Governo norte-americano tenha conseguido formular acusações contra alguém pela fuga de informação.
Entretanto, a Casa Branca emitiu uma ordem para que todas as agências governamentais norte-americanas apertem as regras para o uso de informação classificada. Os novos procedimentos, diz a agência Reuters, destinam-se a garantir que “os utilizadores não tenham acesso a mais do que o estritamente necessário para fazer o seu trabalho de forma eficiente”.
São postas em prática “restrições ao uso [de informação classificada] ”, bem como ao uso de meios para a sua remoção das bases de dados, de acordo com uma directiva do Office of Management and Budget, hoje divulgada.
A investigação tem-se centrado no soldado Bradley Manning, um jovem analista de informação que estava colocado no Iraque e que foi preso no fim de Maio sob suspeita de ter sido a origem de uma fuga de informação para o WikiLeaks. Foi acusado de ter fornecido o material para um vídeo que o WikiLeaks divulgou sob o título “Collateral Murder”, em que um helicóptero Apache norte-americano mata vários civis, incluindo um repórter da Reuters.


