Fretilin equaciona substituição de Mari Alkatiri e nomeação de um novo primeiro-ministro

23.06.2006 - 11:27 Por Lusa
A renúncia de Mari Alkatiri à chefia do Governo e a sua substituição por outro dirigente da Fretilin é "uma das soluções" que está a ser equacionada pelo partido timorense.
Segundo várias fontes da Comissão Política Nacional (CPN) e do Comité Central da Fretilin contactadas telefonicamente pela Lusa, a possível substituição de Mari Alkatiri "está a ser estudada" como uma saída para a crise, devendo a decisão ser tomada na reunião de amanhã do Comité Central do maior partido timorense.
Entre as outras opções estão a demissão em bloco de todo o Governo e também a proposta, confirmada ontem pelo próprio Mari Alkatiri, para a permanência do primeiro-ministro no Executivo com a nomeação de dois vice-primeiro-ministros.
"São soluções para a crise. A reunião do Comité Central vai decidir. O PR tornou a sua posição muito clara e o CC amanhã vai decidir", afirmou um responsável da Comissão Política Nacional do partido, que pediu o anonimato.
O cenário da renúncia de Mari Alkatiri parece, no entanto, ser "o que tem mais pernas para andar", segundo a mesma fonte.
O presidente da Fretilin, Francisco Guterres Lu´Olo, também presidente do Parlamento Nacional, e o membro do Comité Central Estanislau da Silva, também ministro da Agricultura, estiveram hoje reunidos com Xanana Gusmão para analisar a situação em Timor-Leste.
Segundo uma fonte do partido, na reunião "não foi apresentada nenhuma solução como certa", mas os dois responsáveis "apelaram à compreensão de Xanana Gusmão" para que este deixe que "o Comité Central analise a situação e decida o que fazer".
"O encontro foi muito bom, sem hostilidades. O PR quer uma decisão clara da Fretilin e essa foi a mensagem que foi transmitida", explicou a mesma fonte.
"Ficámos muito satisfeitos pelo facto de ele ter recebido muito bem o presidente do partido, da conversa ter decorrido muito bem", disse ainda.
Depois da reunião com Xanana Gusmão, Lu´Olo esteve reunido com o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, na sua residência no bairro do Farol, em Díli.
O cenário da renúncia de Alkatiri e da sua substituição por um outro dirigente do partido foi hoje dado como certo pelo ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, José Ramos Horta, numa reunião com o corpo diplomático acreditado em Díli, segundo uma fonte diplomática. Em declarações à Lusa, a fonte afirmou que José Ramos Horta comunicou que há um entendimento político com vista à demissão do primeiro-ministro.
Uma outra fonte diplomática contactada pela Lusa reiterou essa informação, afirmando que o cenário da renúncia de Mari Alkatiri "não foi apresentado como alternativa, mas como a única solução".
O secretário-geral dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Nelson Santos, afirmou, no entanto, que o cenário da demissão de Mari Alkatiri não foi apresentado como certo pelo chefe da diplomacia timorense.
Segundo Nelson Santos, que participou na reunião de hoje entre José Ramos Horta e o corpo diplomático, "falou-se da situação em geral e de todos os cenários possíveis para resolver a crise". "Esse cenário foi um dos apresentados como possível para resolver a crise", disse.

