O chefe da diplomacia portuguesa, Diogo Freitas do Amaral, recusou-se hoje a comentar a crise política em Timor-Leste e defendeu que a Portugal cabe apenas "ver como os timorenses a resolvem".
"Não sou comentador político e o que se está a passar em Timor-Leste é política interna e não cabe ao ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal pronunciar-se. Vamos ver como os timorenses resolvem a sua crise", disse Freitas do Amaral, em declarações à Lusa, após uma conferência de imprensa conjunta com o chefe do Executivo de Macau, Edmud Ho.
Depois de meses de crise política e militar, o Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, ameaçou ontem demitir-se, durante o dia de hoje, se o primeiro-ministro Mari Alkatiri não o fizer. Alkatiri já se mostrou irredutível na sua decisão de se manter na chefia do Governo.
Numa mensagem ao país, Xanana Gusmão responsabilizou Alkatiri pela crise que o país atravessa, considerando que está em causa a sobrevivência do Estado de direito democrático, e afirmou que sente "vergonha" pelo que o Estado está a fazer ao povo.
Em reacção à posição assumida pelo Presidente da República, Mari Alkatiri rejeitou peremptoriamente a possibilidade de se demitir, justificando que, perante uma situação "tão complexa", "uma decisão precipitada pode complicar ainda mais as coisas".



