Freitas do Amaral: escolha de Guterres é "reconhecimento internacional de Portugal"

24.05.2005 - 17:22 Por PUBLICO.PT
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Diogo Freitas do Amaral, afirmou esta tarde, em Lisboa, que a escolha do antigo primeiro-ministro português António Guterres para a liderança do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) é o "reconhecimento internacional de Portugal na sociedade das nações".
Confirmando a escolha do antigo primeiro-ministro para o cargo de alto comissário das Nações Unidas para os refugiados, Freitas do Amaral afirmou que "Portugal está parabéns", tal como António Guterres, de quem destacou as suas qualidades.
O chefe da diplomacia portuguesa disse também que, ao nível dos apoios de países da União Europeia à candidatura do actual presidente da Internacional Socialista, a "maioria" deu o seu apoio.
Diogo Freitas do Amaral destacou o apoio de Espanha ou da Alemanha e referiu que a França tinha o seu próprio candidato - Bernard Kouchner, antigo ministro da Saúde e ex-representante especial da ONU no Kosovo - e o Reino Unido não revelou a sua opção.
Quanto a um eventual apoio dos Estados Unidos à candidatura de António Guterres, o governante afirmou ter "quase a certeza" que este existiu.
Em nome do Governo português, Freitas do Amaral agradeceu ainda ao Presidente da República, Jorge Sampaio, aos diversos países que apoiaram a candidatura de António Guterres e à diplomacia portuguesa, que considerou ter feito um "esforço notável" durante uma "batalha difícil".
Perfil de António Guterres
O antigo primeiro-ministro e actual presidente da Internacional Socialista foi hoje escolhido para alto comissário das Nações Unidas para os refugiados pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan.
António Manuel de Oliveira Guterres, 56 anos, nasceu a 30 de Abril de 1949 na freguesia de Santos-o-Velho, em Lisboa, tendo a sua infância sido dividida entre a capital e a terra natal da mãe, Donas, na Beira Baixa.
Aluno brilhante, em 1965, entra para o curso de Engenharia Electrotécnica no Instituto Superior Técnico, licenciando-se em 1971, com a classificação final de 19 valores.
Profundamente católico, envolve-se, nessa altura, nas discussões religiosas e sociais do "Grupo da Luz", que integrava, entre outros, Helena Roseta e Marcelo Rebelo de Sousa. Nesse grupo, conhece também o padre Vítor Melícias que, em 1972, celebra o seu casamento com Luísa Melo.
Nesse mesmo ano, pela mão de António Reis, filia-se no Partido Socialista (PS), abandona a carreira universitária e inicia uma longa carreira política.
Após o 25 de Abril de 1974, com Manuel Alegre, dinamiza a Federação Distrital do PS de Lisboa, cola cartazes e participa em comícios. A amizade com Salgado Zenha, então ministro das Finanças, conduziu-o depois à chefia do seu gabinete.
Mas o seu trabalho dentro do PS não abranda e, em 1979, apresenta no congresso socialista o documento por si elaborado: "Dez anos para mudar Portugal - Programa do PS para os anos 80".
Já nos anos 80, foi membro do Comissão de Integração Europeia (comissão negociadora da adesão de Portugal à Comunidade Europeia) e director de Desenvolvimento Estratégico do Investimento e Participação de Estado.
Em 1988, torna-se presidente do grupo parlamentar socialista e, um ano mais tarde, chega ao Conselho de Estado.
Quatro anos mais tarde, no congresso de Fevereiro de 1992, disputa a liderança do PS com Jorge Sampaio, ganhando as eleições ao agora Presidente da República, então "a braços" com uma pesada derrota nas legislativas de 1991.
Depois de assumir a liderança do PS, consegue cativar uma franja importante da sociedade civil, naquilo que ficou conhecido como os Estados Gerais da Nova Maioria e gerou uma forte expectativa no país.
Contudo, só em 1995 consegue a sua grande vitória eleitoral, pondo fim a dez anos de governação de Cavaco Silva (PSD) e chegando ao poder numa eleição em que teve como principal adversário Fernando Nogueira.
Começa aqui a sua caminhada de seis anos à frente do Governo, que irá terminar na noite de 16 de Dezembro de 2001, ao demitir-se após a derrota eleitoral do PS nas eleições autárquicas, uma decisão que justificou com a necessidade de evitar que o país, "num momento de crise internacional", caísse num "pântano político". "É meu dever, perante Portugal, evitar esse pântano político", afirmou na altura.
A sua saída do Governo coincidiu com o abandono da vida política nacional activa, mantendo-se apenas como presidente da Internacional Socialista, um cargo para o qual foi eleito em 1999, sucedendo ao francês Pierre Maurroy, e que exerce actualmente. Guterres conta-se também entre os membros fundadores do Conselho Português para os Refugiados.
Fonte: Lusa

