A França irá enviar um embaixador à cimeira Durban II da ONU sobre o racismo mas o ministro dos Negócios Estrangeiros, Bernard Kouchner, já avisou que o representante francês sairá da sala caso o Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, faça “acusações anti-semitas”.
A conferência arranca hoje em Bruxelas com várias ausências de peso – Estados Unidos, Austrália e outros europeus já tinham anunciado o seu boicote ao evento por este ameaçar tornar-se um palco para apresentar Israel como um Estado racista. Hoje a Nova Zelândia também anunciou que não iria estar presente.
Da União Europeia, Alemanha, Itália, Holanda e Polónia não se vão fazer representar em Genebra – Berlim tem, apesar disso, um estatuto de observador. A Grã-Bretanha enviará apenas um embaixador, tal como a França, e também avisou que sairia caso fosse ultrapassado algum “limite”. Kouchner lamentou hoje que apesar de “três dias de debates longos entre os 27” não tenha sido possível encontrar uma posição comum.
“É preciso sermos claros. Não toleraremos qualquer derrapagem. Se o Presidente Ahmadinejad proferir quaisquer acusações racistas ou anti-semitas, sairemos imediatamente da sala”, disse hoje Kouchner.
Ontem, antes de se deslocar para Genebra, o Presidente do Irão disse que “a ideologia e os crimes sionistas são os porta-estandartes do racismo”. Ahmadinejad discursa hoje ao meio-dia em Genebra (11h em Lisboa).
ONU lamenta boicote
A ONU lamentou o boicote. A alta-comissária das Nações Unidas para os direitos humanos, Navi Pillay, tinha feito de uma participação alargada na cimeira Durban II (a primeira decorreu naquela cidade sul-africana em 2001) o objectivo fulcral do seu mandato. Afirmou estar "chocada e profundamente desapontada" com os boicotes que irão esvaziar politicamente o encontro.
"Um punhado de países permitiu que um ou dois assuntos dominassem a sua abordagem a esta questão, permitiu que se sobrepusessem às preocupações de vários grupos de pessoas que sofrem com o racismo e formas idênticas de intolerância", disse Pillay à AFP.
Já há dois meses, os EUA tinham avisado que não iriam a Genebra caso a declaração a ser adoptada não fosse alterada, recorda a CNN. Houve várias revisões ao documento nas últimas semanas, mas as alterações retóricas não receberam a aprovação norte-americana, adiantou a declaração do Departamento de Estado. O rascunho "melhorou significativamente", mas "parece certo que as preocupações que restam não serão referidas no documento...", adianta o comunicado.
As conversações de hoje destinam-se a avaliar os progressos feitos no combate ao racismo desde o último encontro na África do Sul, que terminou com países árabes a tentarem definir o sionismo como racista. O desfecho levou ainda os EUA e Israel a abandonarem a sala em sinal de protesto.


