França suspende venda de “equipamentos de segurança” à Líbia e Bahrein

18.02.2011 - 13:56 Por PÚBLICO
O Governo francês anunciou hoje que suspendeu a exportação de equipamentos de segurança para a Líbia e Bahrein, países onde a contestação popular aos respectivos regimes se intensificou fortemente nos últimos dias, com a ocorrência de dezenas de mortos nos confrontos dos manifestantes com a polícia e militares.
“As autorizações foram suspensas ontem”, precisou porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Bernard Valero. “Os acontecimentos dos últimos dias levam-nos a deixar claro que esperamos das autoridades do Bahrein que ajam de acordo com os compromissos assumidos”, avançou ainda, sublinhando que Paris “deplora o uso excessivo de força que causou vários mortos assim como numerosos feridos”.
A França, disse ainda Valero, está “muito preocupada” com o que se está a passar no Bahrein, na Líbia e no Iémen, onde protestos se prolongam há dias, inspirados pelas revoltas populares na Tunísia e Egipto que culminaram na deposição dos respectivos chefes de Estado.
No Bahrein foram mortas quatro pessoas numa brutal acção policial para dispersar centenas de manifestantes acampados na Praça Pérola, na capital, na madrugada de quinta-feira. Outras duas pessoas tinham sido mortas, igualmente alvejadas a tiro, nos protestos dos primeiros dias desta semana.
Outras 24 pessoas morreram na Líbia, em manifestações contra o regime de Muammar Khadafi, desde a passada terça-feira, segundo denunciou hoje a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch. Fonte médica na cidade de Bengasi relatou que 14 pessoas tinham sido mortas naquela cidade, a segunda maior na Líbia, apenas ontem.
A França tem estado sob fogo cerrado por ter mantido uma atitude vista como demasiado conciliatória com os regimes de Zine al-Abidine Ben Ali na Tunísia e de Hosni Mubarak no Egipto.


