França e Inglaterra sem explicações para colisão de submarinos nucleares

16.02.2009 - 21:25 Por Ana Fonseca Pereira
Dois submarinos nucleares, um francês e outro britânico, colidiram em pleno Atlântico, durante manobras separadas, no início deste mês. Os dois países só hoje confirmaram o acidente, que danificou a fuselagem dos dois submersíveis, mas que segundo alguns peritos poderia ter tido consequências desastrosas.
Todas as manobras dos submarinos nucleares estão abrangidas pelo segredo de Estado, o que levou a que o acidente, ocorrido entre os dias 3 e 4 de Fevereiro, tenha permanecido em sigilo até à chegada, este fim-de-semana, do HMS Vanguard à sua base em Faslane, na Escócia, para reparações. Segundo a imprensa britânica de hoje, o submarino, um dos quatro munidos com mísseis nucleares Trident, apresentava “amolgadelas e arranhões muito visíveis”.
Os jornais britânicos adiantaram que, no momento da colisão debaixo de água, tanto o Vanguard como o seu congénere francês, Le Triomphant, estavam armados com mísseis nucleares e transportavam no conjunto mais de 240 marinheiros.
Escusando-se a comentar a extensão dos danos, o almirante Jonathon Band, chefe do Estado-Maior da Marinha britânica, confirmou que os dois submarinos colidiram “a velocidade muito baixa” e que a sua segurança nuclear “não foi posta em causa”, nem se registaram feridos. Outros responsáveis adiantaram que, apesar de embaraçoso, o acidente não provocou fugas radioactivas.
A mesma garantia foi apresentada pela Defesa francesa, que no dia 6 anunciou que um dos seus submarinos nucleares sofrera danos na torre de sonar ao “colidir com um objecto submerso, possivelmente um contentor” e tivera de regressar à base, na Bretanha.
Demasiada dissimulação
Nenhum dos países adiantou explicações para a colisão — a primeira desde o fim da Guerra Fria, segundo o The Guardian —, mas alguns peritos avançam explicações, como o facto de os submarinos mais recentes, além de radares e sonares (que lhes permitem localizar outras embarcações) terem sistemas para dissimular a sua presença. Caroline Wyatt, especialista em Defesa da BBC, admite que neste caso os anti-sonares tenham sido “demasiado eficazes”.
O engenheiro nuclear John Large explicou, por seu lado, que os submersíveis “procuram águas calmas e profundas” para navegar e que é por isso normal que, apesar da vastidão do Atlântico, se encontrem nestas zonas “bastantes submarinos”. Ainda assim, o Guardian sublinhava que o acidente mostra que os dois países, membros da NATO, não estão a partilhar informações sobre os seus dispositivos nucleares.
Kate Hudson, responsável da Campanha para Desarmamento Nuclear (CND), diz que o acidente poderia ter causado “um pesadelo nuclear”, ao libertar “grandes quantidades de radiação” e espalhar “ogivas nucleares no fundo do mar”. Insistiu na necessidade de pôr fim ao patrulhamento contínuo dos mares por este tipo de submarinos. Large explicou, por seu lado, que a colisão poderia ter provocado um incêndio a bordo que, se atingisse as ogivas nucleares, poderia libertar grandes quantidades de plutónio para a atmosfera.

