Julgamento da década

França: Começou processo que opõe Villepin a Sarkozy

22.09.2009 - 10:15 Por Ana Dias Cordeiro

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Dominique de Villepin falou ontem a dezenas de jornalistas à entrada para a primeira sessão do julgamento Dominique de Villepin falou ontem a dezenas de jornalistas à entrada para a primeira sessão do julgamento  (Charles Platiau/Reuters )
Dominique de Villepin, ex-primeiro-ministro francês e aliado do ex-Presidente Jacques Chirac, é o principal dos cinco acusados no processo Clearstream que ontem começou a ser julgado em Paris.

O caso está na origem de um escândalo político que opõe Villepin ao actual Presidente, Nicolas Sarkozy, cujo nome constava em 2003 de listas de figuras supostamente envolvidas num processo de corrupção.

Essas listas vieram a revelar-se falsas e Villepin foi o principal suspeito, e depois um dos acusados, de ter fabricado o caso e de ter feito chegar de forma anónima essas listas aos serviços de informação e à justiça. O objectivo, segundo a acusação, seria motivar uma investigação judicial que comprometesse Sarkozy, o afastasse da corrida à liderança do seu partido, a União para um Movimento Popular (UMP), em 2004, e o impedisse de ser candidato às presidenciais três anos mais tarde.

Dominique de Villepin era na altura ministro dos Negócios Estrangeiros e terá insistido na necessidade de se investigar o caso das listas que mostravam contas bancárias ocultas na sociedade luxemburguesa Clearstream . A ideia era lançar suspeitas de que as referidas figuras teriam recebido luvas num negócio de venda de fragatas a Taiwan em 1991, um caso que agitou a vida política ao longo dos anos 1990.

Villepin, que em 2007 foi acusado de "cumplicidade em denúncia caluniosa", "abuso de confiança" e "cumplicidade na utilização de documentos falsos", sempre negou ter participado em qualquer manobra política.

Quando foi acusado, há dois anos, as primeiras palavras foram para a família perante as "acusações dolorosas" de que era alvo. Ontem, foi ao lado da mulher e dos três filhos que chegou ao tribunal. Com ar solene perante dezenas de jornalistas, defendeu-se, acusando Sarkozy: "Estou aqui por vontade de um homem. Estou aqui por obstinação de um homem, Nicolas Sarkozy, que é também Presidente da República. Sairei livre e sem mácula em nome do povo francês". E voltou a dizer-se vítima de um processo com motivações políticas. "Alguns querem fazer crer que não há no nosso país julgamentos políticos, também eu quero acreditar nisso e contudo estamos aqui em 2009 e estamos em França", disse colocando ênfase no "combate" que era seu e de "todas aquelas e aqueles, vítimas do abuso de poder".

Futuro político

O julgamento deverá durar um mês e entre as dezenas de testemunhas e queixosos, além de Sarkozy, que se faz representar pelo seu advogado, tem ex-responsáveis políticos e dos serviços de informações, bem como grandes empresários. Villepin incorre numa pena de cinco anos e numa multa de dezenas de milhares de euros.

A AFP escreve que neste que é o "julgamento da década" em França, Villepin joga também o seu futuro político - porque, mesmo estando isolado, o ex-delfim de Jacques Chirac ainda não terá renunciado às suas ambições presidenciais e a vingar-se do seu inimigo Sarkozy. Analistas dizem, por seu lado, que também Sar-?kozy avançou com este caso numa jogada politicamente arriscada. Tudo vai depender do veredicto.

Com o ex-primeiro-ministro são acusadas quatro figuras, entre as quais um ex-responsável de uma importante empresa da indústria de Defesa, EADS, Jean-Louis Gergorin, que reconheceu ter enviado as falsas listas, e o técnico informático, matemático e ex-funcionário da mesma companhia, Imad Lahoud, que é suspeito de ter fabricado as mesmas.

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Abu

Aqui ao lado, o Juiz Baltasar Garzón tem aparecido no tribunal na sequência de um processo judicial ...

Abu

22.09.2009 17:03

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