Fórum Social Mundial: Crise financeira secundariza discussão sobre sustentabilidade ambiental

27.01.2009 - 16:17 Por Nuno Amaral, São Paulo
A nova edição do Fórum Social Mundial, em Belém do Pará, na Amazónia, tinha como temas centrais de debate a sustentabilidade ambiental, a desflorestação, as alterações climáticas. Mas o agravamento da crise económica mundial provocou algumas alterações de agenda. A partir de hoje, mais de 100 mil pessoas começam a discutir “a falência do modelo neoliberal que regeu a globalização”, sem esquecer a abordagem ecológica.
“A escolha da Amazónia não foi fortuita. É o primeiro fórum que vai ter a questão da sustentabilidade, do modelo económico como predador do meio ambiente, provocador do aquecimento global e do esgotamento dos recursos naturais. Claro está que o agravamento da crise impõe-se nas discussões “, resumiu Oded Grajew, considerado o arquitecto do Fórum Social Mundial.
A Belém do Pará, no Norte do Brasil, já chegaram cerca de 3000 indígenas, de 270 etnias. A intenção é lançar um grito colectivo de maior respeito pela floresta da Amazónia. Esta preocupação vai ocupar parte das 2400 actividades programadas até 1 de Fevereiro, frisou Chico Whitaker. “Depois, haverá uma forte discussão sobre a ruptura deste modelo económico que colocou o mundo à beira do colapso”, reforçou.
O Fórum Social Mundial é – como tem vindo a ser hábito – o contraponto ao Fórum Económico Mundial, os países mais ricos do planeta em Davos, na Suíça. Este ano, haverá “uma grande diferença”: enquanto na Europa o ambiente é de “derrota”, no Brasil os participantes vão apontar as alternativas e saídas para um “outro mundo possível, necessário e urgente”.
“Davos será em ambiente de derrota, os que estão lá reunidos, que são os culpados pela situação financeira que o mundo está a viver, estão a perguntar-se o que vão fazer. Nós tínhamos razão em 2001 ao dizer-lhes que um outro mundo é possível”, afirmou Whitaker à BBC.
No arranque dos debates, o activista deixa um recado aos líderes das economias mais fortes, reunidas em Davos: “vamos construir outro mundo, porque esse que está aí está provado que não dá mais pé”.
As discussões de carácter político, puro e duro, entenda-se, devem começar na sexta-feira, no Fórum das Autoridades Locais, que junta líderes como Lula da Silva, o venezuelano Hugo Chávez, o Presidente da Bolívia, Evo Morales; do Equador, Rafael Correa; e do Paraguai, Fernando Lugo – todos, à excepção do líder brasileiro, seguidores do “Socialismo do Século XXI”, defendido por Chávez.

