Forças de defesa timorenses e australianas estabelecem perímetro de segurança em Díli

26.05.2006 - 09:51 Por Lusa
As forças de defesa timorenses (F-FDTL) estabeleceram hoje um perímetro de segurança na capital, em coordenação com as forças australianas. O patrulhamento está a ser garantindo por militares da Austrália.
Em comunicado, o gabinete do primeiro-ministro, Mari Alkatiri, refere que o perímetro de segurança "envolve as sedes dos quatro órgãos de soberania" e as residências dos seus titulares, "as instalações da central eléctrica, das telecomunicações, da água, do Hospital Nacional Guido Valadares e do aeroporto, entre outros".
"A decisão política sobre o perímetro de segurança foi tomada pelo Governo, em coordenação com o Presidente da República", explica a nota de imprensa enviada à Lusa.
"A inclusão das instalações dos órgãos de soberania no perímetro de segurança foi decidida não por se tratarem de eventuais alvos, mas por ser essencial à preservação da estrutura e funcionamento do Estado", considerou.
A acção de hoje insere-se no âmbito do acordo relativo aos termos de actuação da força australiana em Timor-Leste, assinado ontem por representantes dos dois governos. Um acordo idêntico foi assinado com o Governo neozelandês.
Desde as 08h00 em Timor-Leste, nota ainda o comunicado, está a decorrer o destacamento de avançado de um grupo de 25 polícias da Malásia, "especializado em luta anti-subversiva". No domingo é esperada em Díli uma equipa de três oficiais da GNR, entre eles o comandante da companhia, composta por 120 elementos, que será enviada nas próximas semanas para Timor-Leste.
A nota difundida hoje alude ainda ao massacre de pelo menos nove polícias no quartel da PNTL, durante confrontos entre militares e polícias posteriormente mediados por elementos das Nações Unidas.
"O comandante das F-FDTL, brigadeiro general Taur Matan Ruak, garante que o militar que alegadamente disparou sobre vários polícias, que tinham entretanto deposto as suas armas, após mediação de observadores militares das Nações Unidas, foi imediatamente desarmado, está detido e será a seu tempo julgado", refere a nota.
"Prosseguem investigações no seio das F-FDTL para apurar se haverá outros militares envolvidos", sublinha ainda o comunicado.
Referindo-se ao aparente diferendo entre o Presidente da República, Xanana Gusmão, e o primeiro-ministro, Mari Alkatiri, relativamente ao controlo da seguraça interna no país, a nota de imprensa refere que "o Governo mantém a totalidade dos seus poderes ao nível da segurança interna".
"Depois de o Presidente da República ter declarado numa comunicação que havia assumido aqueles poderes, o primeiro-ministro contactou o Presidente da República e foi informado de que o entendimento do Presidente da República é que nas questões de segurança tem de haver coordenação entre os dois órgãos de soberania. O primeiro-ministro respondeu que assim tem sido até agora e vai continuar a ser", sublinha.
Como exemplo de que a coordenação entre os dois órgãos de soberania "tem sido total", a nota cita a decisão "de o Estado, enquanto tal, ter requerido o auxílio das forças internacionais para resolver esta crise".
"Embora a proposta da decisão pertença ao primeiro-ministro, o Presidente da República e o presidente do Parlamento Nacional concordaram com a ideia, tendo as cartas dirigidas aos chefes de governo da Austrália, Malásia, Nova Zelândia e Portugal sido assinadas pelos três", relembra.
A ministra de Estado e da Administração Estatal de Timor-Leste, Ana Pessoa, afirmou igualmente que os elementos do Governo timorense continuam a depositar confiança e estão reunidos em torno do primeiro-ministro, não havendo quaisquer dissidências entre os membros do executivo.


