Discurso na televisão

Filho de Khadafi alerta para risco de guerra civil

21.02.2011 - 08:03 Por PÚBLICO

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Saif al-Islam aponta o dedo à imprensa estrangeira que culpa pela imagem que tem feito passar da Líbia Saif al-Islam aponta o dedo à imprensa estrangeira que culpa pela imagem que tem feito passar da Líbia (Reuters TV)
Saif al-Islam Khadafi, filho do líder líbio Muammar Khadafi, apareceu na televisão a prometer reformas e a alertar para o risco de guerra civil caso as manifestações nas ruas exigindo o fim do regime continuem. O uso da força para conter os manifestantes que pedem o fim do regime de Khadafi naquele país já fez mais de 230 mortos.

“Lutaremos até ao último homem e até à última mulher. Não deixaremos a Líbia para italianos e turcos”, disse Saif, admitindo que a polícia cometeu erros, na maneira como agiu nas ruas, mas criticando também os números de mortes avançados, alegando que são menos, e apontando o dedo à imprensa estrangeira pela imagem do país que tem feito passar.

Para o filho de Khadafi, a escolha dos líbios tem de ser entre a fragmentação do país em vários estados, a perda de qualidade de vida e uma guerra civil que pode destruir as riquezas naturais, ou a continuação do investimento no país, nomeadamente no petróleo, diz a BBC sobre o discurso.

As multidões em Bengasi, cidade onde se iniciaram as manifestações, mas também na capital, Trípoli, onde já chegaram os protestos, permanecem indiferentes a este discurso e continuam a pedir o fim do regime: “As pessoas aqui em Bengasi estão a rir-se dele, é sempre a mesma história e ninguém acredita no que ele diz. Ele é um mentiroso, ouvimos estas mentiras há 42 anos”, disse à BBC um advogado em Bengasi.

Os protestos e a violência continuaram esta última noite, com tiros e uso de gás lacrimogéneo pelas forças líbias. Segundo a organização Human Rights Watch, que tem denunciado várias situações de uso excessivo de violência por parte das autoridades na Líbia, o número de mortos nas manifestações já chega aos 223 nestes cinco dias de violência – 170 apenas em Bengasi.

Um cirurgião do hospital Al-Jalae, de Bengasi contou à agência Reuters que chegaram ali 50 corpos de manifestantes, quase todos baleados. Uma das vítimas mortais que chegou tinha sido atingida por um tiro de morteiro.

Uma das unidades do exército, segundo as agências, juntou-se aos manifestantes e está a lutar contra a guarda pretoriana, a tropa de elite de Khadafi, maioritariamente formada por mulheres.

Demissões no regime de Khadafi
O ministro líbio da Justiça, Mustafa Mohamed Abud Al Jeleil, apresentou entretanto a sua demissão hoje em protesto contra o "uso excessivo de violência" das forças de segurança contra os manifestantes, avançou o jornal privado "Quryna".

Pouco antes tinham sido noticiadas as demissões de três diplomatas líbios, todos eles também em reacção à dura repressão das manifestações pró-democracia – entre eles o enviado líbio à Liga Árabe, Abdel Moneim al-Honi, que anunciou ir juntar-se "à revolução" e o embaixador da Líbia na Índia, Ali al-Essawi, o qual justificou a sua demissão como um "protesto" contra a violenta acção das autoridades.

A abordagem do regime líbio à vaga de contestação foi já duramente criticada hoje também pelo antigo porta-voz do Governo de Khadafi, sinalizando a profunda dissidência dentro da elite governadora. "Espero que ele mude o seu discurso, que reconheça a existência de uma oposição popular interna, que entre em diálogo com eles sobre mudanças a fazer no sistema", observou Mohamed Bayou, até há apenas um mês porta-voz do Governo, referindo-se ao filho do líder líbio.

Segundo Bayou, as autoridades de Trípoli estão "erradas" ao ameaçarem violência contra a oposição. Neste comunicado obtido pela Reuters, o ex-porta-voz do Governo instava Saif al-Islam Khadafi a encetar quanto antes negociações com a oposição no sentido de ser redigida uma nova Constituição.

Por seu lado, os líderes tribais das regiões mais ricas em petróleo ameaçam cortar o fornecimento se a repressão não acabar. “Vamos parar com a exportação para os países ocidentais dentro de 24 horas se a violência não parar”, disse Shaikh Faraj al Zuway, líder da tribo Al-Zuwayya à Al-Jazira. A Líbia, governada por Khadafi desde 1969, é o quarto maior exportador de petróleo.

Notícia actualizada às 14h50

Estatísticas

  • 19 leitores
  • 45 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1481283

Comentário + votado

Lição,

o Kadhafi estar a colher frutos das amizades envenenadas, é bem feito, negociatas com o Tony Bliar, ...

Carlos - Londres

21.02.2011 08:35

X

Mais em Mundo (2 de 24 artigos)

Bashir, de 67 anos, está no poder desde o golpe de 1989 Presidente do Sudão não vai recandidatar-se no fim de mandato