A filha do antigo Presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani, Faezeh, foi detida por participar em protestos contra o regime, mas foi libertada depois de afirmar que estava apenas a “fazer compras”, diz a agência semi-oficial Fars.
A oposição iraniana tinha marcado protestos para hoje, mas a polícia tentou evitá-los com uma forte presença por toda a cidade. Segundo sites da oposição, houve reuniões de grupos da oposição em vários locais de Teerão. Um destes sites dizia ainda que tinha morrido uma pessoa vítimas das forças de segurança. As autoridades negam esta morte e dizem ainda que não houve manifestações apesar de tentativas de “sediciosos”.
Há uma semana, iranianos anti-regime tinham conseguido manifestar-se pela primeira vez desde Dezembro de 2009 apesar da forte presença de polícia uniformizada e à civil, com muitos agentes em motas a correrem as pessoas à bastonada. Duas pessoas morreram na repressão a estes protestos, e centenas terão sido detidas.
Os media estrangeiros não foram autorizados a fazer a cobertura dos protestos de ontem. As acreditações de jornalistas de vários órgãos de comunicação social, como a agência francesa AFP, o diário norte-americano "New York Times" ou a estação de televisão pan-árabe Al Jazira, foram-lhes retiradas depois de terem coberto os protestos da semana passada sem autorização.
Quanto à filha de Rafsanjani, esta não é a primeira vez que é detida (e logo libertada). As forças de segurança tinham-na já levado de manifestações de contestação à vitória do Presidente Mahmoud Ahmadinejad nas eleições de Junho de 2009.
O "ayatollah" Rafsanjani é uma das figuras mais poderosos da República Islâmica. Preside à Assembleia de Peritos, a única instituição com competência para nomear e demitir o Supremo Líder, e dirige também o Conselho do Discernimento, árbitro das disputas entre o Parlamento e o Conselho dos Guardiões.
Nas eleições de 2009, Rafsanjani apoiou um dos candidatos da oposição, Mir-Hossein Mousavi, mostrando-se muito crítico do Presidente Mahmoud Ahmadinejad.
Actualmente tanto Mousavi como outro candidato que desafiou o Presidente candidato, Mehdi Karroubi, estão em prisão domiciliária depois de terem apelado às manifestações de segunda-feira passada.



