Anúncio no órgão oficial do Partido Comunista cubano

Fidel Castro renunciou à presidência de Cuba

19.02.2008 - 08:02 Por Reuters, PÚBLICO

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Fidel Castro está há 19 meses afastado do exercício do poder devido a doença Fidel Castro está há 19 meses afastado do exercício do poder devido a doença (Reuters TV (arquivo))
Fidel Castro anunciou hoje que se retira da chefia do Estado e das Forças Armadas de Cuba. Fidel Castro está afastado há 19 meses do exercício do poder devido a doença, estando as suas funções a ser exercidas pelo seu irmão Raul Castro, que deverá assegurar a transição.

Numa mensagem publicada no site do jornal “Granma” (o órgão oficial do Partido Comunista cubano), assinada por si e datada das 5h30 de hoje, Castro escreve: “Não aspirarei nem aceitarei – repito – não aspirarei nem aceitarei – os cargos de Presidente do Conselho de Estado e de comandante em chefe.”

Fidel liderava Cuba durante quase 50 anos, desde 1959, após uma revolução armada que derrubou o regime de Fulgêncio Baptista, apoiado pelos EUA. O Parlamento cubano está convocado para no domingo designar as mais altas instâncias executivas do regime, emtra as quais o chefe do Estado.

O Presidente cessante, de 81 anos, não aprece em público há quase 19 meses e foi recentemente eleito membro da Assembleia Nacional (o Parlamento) de Cuba.

Raul Castro é o sucessor mais provável
Espera-se que a Assembleia Nacional nomeie como novo Presidente o seu irmão Raul Castro, 76 anos. Raul tem vindo a dirigir o país desde a cirurgia de emergência a que Fidel foi submetido para parar uma hemorragia intestinal o forçou a delegar o poder em 31 de Julho de 2006.

O título de “Comandante en Jefe” foi criado para Castro em 1958, como líder supremo das forças de guerrilha que desceram das montanhas do Leste de Cuba para derrubar Fulgêncio Batista.

A renúncia de Fidel faz cair o pano sobre uma carreira política que atravessou a guerra fria e sobreviveu à inimizade dos EUA, a tentativas de assassinato da CIA e ao fim do comunismo soviético.

Líder carismático famoso pelos seus demorados discursos proferidos em uniforme militar verde, Fidel Castro é admirado no Terceiro Mundo por fazer frente aos Estados Unidos, mas considerado pelos seus opositores como um tirano que suprimiu a liberdade.

Afastado do cenário público, tem sido visto apenas em vídeos e fotos. Assim, Fidel Castro dedicou-se a escrever artigos para a imprensa sob o título de "Reflexões do Comandante-em-Chefe". No entanto, o líder cubado garantiu: "Não me despeço de vocês. Desejo apenas combater como um soldado das ideias. Seguirei escrevendo. Será uma arma a mais do arsenal com a qual se poderá contar. Talvez minha voz seja ouvida. Serei cuidadoso".

Fidel Castro, o último líder comunista do Ocidente

Aos 81 anos, ao fim de quase 50 à frente de Cuba, Fidel Alejandro Castro Ruz, renunciou hoje ao cargo de chefe de Estado e das Forças Armadas, que ocupava desde 1959, após uma revolução armada que derrubou o regime de Fulgêncio Baptista, apoiado pelos EUA. O presidente cessante, e opositor histórico dos Estados Unidos, já não aparecia em público há quase 19 meses.

Fidel Castro nasceu numa abastada família de fazendeiros, estudou na Universidade de Havana e enverga há décadas o uniforme militar que marca a linhagem dos guerrilheiros que, em 1959, desceram da Sierra Maestra para depor o ditador Fulgêncio Batista. Casou com Mirta Diaz Balart, em 1948, com quem teve um filho, Fidel.

Castro assistiu à passagem pelo poder de dez presidentes norte-americanos, que nada conseguiram fazer para o retirar da liderança de um país que sofre de problemas económicos crónicos, que se traduzem em problemas sociais e na repressão dos seus opositores.

A revolução cubana
Aos 33 anos, Fidel Castro, companheiro de Ernesto "Che" Guevara, conquistava o poder em Cuba. A sua primeira luta revolucionária consistiu num ataque, a 26 de Julho de 1953, às casernas militares da cidade de Santiago, na sequência do qual foi detido e libertado graças a uma amnistia. Deixou Cuba para rumar ao México, onde formou um exército rebelde, com o qual regressou ao seu país, mas a maioria dos seus homens foi capturada ou morta. Fidel Castro e um pequeno grupo de guerrilheiros fugiram e estabeleceram-se nas montanhas do leste do país, onde firmaram um enclave rebelde do qual partiram para o golpe do dia de ano novo de 1959, que findou com a queda de Fulgêncio Batista.

Os EUA como inimigo
Desde a sua chegada ao poder, Fidel foi alvo de várias tentativas de destituição por parte do vizinho norte-americano, desagradado pela revolução às suas portas e pela nacionalização de vários dos seus interesses em Cuba, como as refinarias de petróleo.

Uma das mais conhecidas tentativas de deposição ficou para a história como o episódio da Baía dos Porcos, em 1961, quando mais de mil exilados cubanos encetaram uma tentativa de invasão da baía, no sul do país, depois de terem sido treinados e financiados pela agência de serviços secretos norte-americana CIA, que continuou a tentar matar o líder cubano ao longo de vários anos. Depois de 72 horas de combates, os exilados foram vencidos e Castro gritou vitória sobre o "imperialismo americano".

Em 1962 teve lugar uma crise que marcou as relações com os Estados Unidos e pelo menos duas gerações de cubanos. Na semana que separava o dia 22 do dia 28 de Outubro, a ameaça nuclear pairava sobre Cuba, uma ilha de seis milhões de habitantes a 140 quilómetros da costa norte-americana. A crise dos mísseis soviéticos, apontados para os Estados Unidos a partir de Cuba, foi evitada no último momento pela intervenção do então Presidente da URSS, Nikita Khrouchtchev. O seu homólogo norte-americano, John Fitzgerald Kennedy, acedeu a não invadir Cuba.

Os primeiros sinais de debilidade física
Em Outubro de 1997, Raul Castro, irmão de Fidel, foi apresentado como o seu sucessor, facto que está consagrado nas leis do país.

Em 1991, Fidel Castro desmaiou enquanto discursava ao sol, num dos seus longos monólogos. Em Outubro de 2004, depois de uma queda pública que lhe valeu fracturas na rótula e no braço direito, afirmou que se sentia "melhor do que nunca". Foram os primeiros sinais de debilidade física do líder cubano, o último líder comunista do mundo ocidental.

Mais tarde, a 31 de Julho de 2006, num acto inédito, transferiu temporariamente o poder para o seu irmão mais novo, uma vez que se ia submeter a uma cirurgia intestinal. Apesar de poucos dias antes ter declarado que “os Estados Unidos não se deviam preocupar pois tencionava governar até aos 100 anos”, o líder histórico pôs hoje um ponto final na sua história política à frente de Cuba.
R.B.S.

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Mundo: Fidel põe ponto final na carreira política e passa a «soldado das ideias»

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NÃO TINHAMOS MÊDO DA VERDADE

A srª Carla Ribeiro, com todo o respeito pela sua opinião, faz lembrar alguns concorrentes ...

Ambrósio Lopes Vaz

20.02.2008 22:55

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