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Cuba

Fidel Castro faz 80 anos em tempo de sucessão

13.08.2006 - 09:49

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Fidel Castro Fidel Castro (Javier Galeano/AP)
Passaram 12 dias desde que o Presidente cubano, Fidel Castro, anunciou - em proclamação lida pelo secretário particular na televisão estatal - que delegara provisoriamente o poder no irmão mais novo, Raúl, número dois do regime e já publicitado sucessor escolhido pelo próprio líder de Cuba. Hoje, Fidel completa 80 anos, muito provavelmente ainda fraco, a recuperar da cirurgia intestinal a que foi submetido, a 31 de Julho, para debelar "hemorragias contínuas" provocadas por "excesso de trabalho e stress".

O seu regresso permanece um enigma e, com o passar dos dias, da sua sombra emerge uma geração de dirigentes mais jovens, pronta a assegurar a governação, mas sob o olhar vigilante de alguns históricos. Para todos os efeitos, trata-se com muita probabilidade de um cenário de sucessão sem mudança - ou apenas com as inevitáveis. Precisamente aquilo que os Estados Unidos já disseram não querer, na nova palavra de ordem formulada pela secretária de Estado Condoleezza Rice: "transição sim, sucessão não".

A saída de Fidel da cena política - seja provisória ou definitiva - inaugura um período de alto risco para Cuba, marcado pelas aspirações da população quanto a uma abertura democrática e pelas crispações de um regime que busca a possibilidade de um novo fôlego, quase meio século após a sua criação em 1959. O novo corpo governativo designado pelo acamado Fidel, para formar a equipa liderada por Raúl Castro, cinco anos mais novo que o irmão, e tomar em mãos o rumo do país, constitui uma mistura subtil entre a "velha guarda" do castrismo em que o Partido Comunista Cubano (PCC) foi alicerçado e uma geração mais nova que, segundo os analistas, será mais capaz de dar resolução aos desafios que agora se impõem.

Sob a vigilância de José Ramon Machado Ventura, 75 anos, organizador histórico do PCC, e de José Ramon Balaguer, 74 anos, outro veterano do comunismo mais ortodoxo, o vice-presidente Carlos Lage - vinte anos mais novo e tecelão das tímidas reformas económicas a que a ilha tem vindo a assistir desde a década de 1990 - deverá assegurar, junto de Raúl, a continuidade dos grandes programas e quadros de direcção lançados por Fidel.

De um e do outro lado, o presidente interino conta com o apoio do responsável máximo do Banco Central cubano, Francisco Soberon, 62 anos, que recentemente foi chamado ao Comité Central do PCC, e do jovem chefe da diplomacia de Cuba, Felipe Perez Roque, de 41 anos, um "filho da revolução" que passou sete anos bem junto do "Comandante en Jefe" como seu secretário particular, e é actualmente a mais proeminente figura da jovem geração comunista cubana. A servir de ponte entre os dois grupos, está o ideólogo do regime, Esteban Lazo, de 61 anos, formado em economia.

A única figura "brilhante" do regime à qual não foi atribuída qualquer função especifica nesta junta colectiva é o presidente da Assembleia Nacional cubana, Ricardo Alarcón, 69 anos, 12 dos quais como embaixador de Cuba nas Nações Unidas e reputação consolidada como o mais duro adversário dos Estados Unidos. Fidel pretende que ele funcione como uma espécie de "joker", bem perto de Raúl, e a liberdade de discurso que tem vindo a usar nas últimas quase duas semanas dá bem conta do elevado nível de confiança de que goza junto dos dois irmãos Castro.

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A sucessão de Fidel de Castrtro

Gostaria de dizer a todos os defensores da liberdade que infelizmente está em vias de acabar o ...

Mário Manuel Felgueiras Seabra

14.08.2006 23:05

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