A Federação da Indústria Têxtil e do Vestuário de Portugal (Fitvep) vai pedir ao ministro da Economia que aproveite a presidência portuguesa da União Europeia para erguer barreiras às importações chinesas.
Numa carta endereçada a Manuel Pinho, a que a Lusa teve acesso, a Fitvep considera que não se pode "perder a oportunidade de limitar as exportações chinesas enquanto não se cumpram as mais elementares regras ambientais, sociais, cambiais e comerciais" naquele país.
O documento, datado de 27 de Abril, foi motivado pelo anúncio no Brasil do aumento das tarifas de importação para travar produtos chineses.
Brasil aumentou tarifas para calçado e têxteis
"O governo brasileiro vai aumentar as tarifas de importação de 20 por cento para 35 por cento a partir de 1 de Junho", refere a federação.
A medida "será de aplicação exclusiva a produtos de calçado e confecções", esclarece o documento.
"Esta é uma decisão repetida um pouco por todo o mundo — dos Estados Unidos da América à Rússia, do México à Turquia, do Peru à Argentina. Lamentavelmente só a UE mantém um autismo absurdo", queixa-se a Fitvep.
O presidente da federação, José Robalo, considera que "a passividade da UE vai fazer com que a China queira vender ainda mais para o único mercado onde o pode fazer de forma livre".
"Resta-nos parar as fábricas e engrossar o alarmante e vergonhoso número de desempregados", lamenta o empresário, que preside à Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios.
Empresários preocupados com o Brasil
"Portugal vai presidir aos destinos da União Europeia. O governo português não pode permitir que esta oportunidade se perca", alerta aquele responsável.
No caso concreto do aumento das taxas de importação no Brasil, a Fitvep refere ao ministro da Economia que uma taxa de 35 por cento "significa o desvanecimento de qualquer réstia de oportunidade de negócio e o acarretar de sérios prejuízos" para os empresários que têm apostado naquele país.
O aumento "deve obrigar os nossos governantes, a repensarem se é justificável o apoio público a acções em mercados com as características do brasileiro", conclui.


