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Movimentos deverão formar governo transitório e preparar eleições

Fatah e Hamas estabelecem acordo de reconciliação

27.04.2011 - 17:47 Por Isabel Gorjão Santos, com agências

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Acordo prevê a realização de eleições no próximo ano Acordo prevê a realização de eleições no próximo ano (Osman Orsal/Reuters)
A Fatah, do Presidente da Autoridade Palestiniana Mahmoud Abbas, e o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, estabeleceram nesta quarta-feira um acordo de reconciliação que deverá conduzir à formação de um governo transitório e à preparação de eleições no próximo ano.

Os dois grupos rivais palestinianos estavam de costas voltadas há quatro anos, mas os seus representantes, reunidos no Cairo, Egipto, chegaram a acordo para pôr fim ao diferendo e preparar eleições presidenciais e legislativas, adiantou a AFP com base em informações de responsáveis da Fatah e uma fonte oficial egípcia.

As delegações “chegaram a acordo após as discussões sobre vários pontos, incluindo a formação de um Governo de transição”, adiantou a agência oficial egípcia Mena a partir de um comunicado divulgado após a reunião.

O chefe da delegação da Fatah, Azzam al-Ahmad, confirmou em declarações à AFP ter sido acordada entre os dois movimentos a formação de um “governo de independentes”. E adiantou: “Esse governo deverá preparar eleições presidenciais e legislativas daqui a um ano”.

A ruptura entre os dois movimentos ocorreu após a vitória do Hamas nas legislativas de 2006 e a tomada em 2007 por este movimento da Faixa de Gaza, onde ainda este mês milhares de palestinianos apelaram à reconciliação.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, reagiu ao anúncio do acordo com um aviso à Autoridade Palestiniana, que "não pode ter a paz com o Hamas e com Israel". O Hamas não reconhece Israel e Netanyahu diz esperar que a Autoridade Palestiniana "faça a escolha certa".

A assinatura do acordo deverá ter lugar no Egipto na próxima semana, segundo a agência Mena. No encontro desta quarta-feira no Cairo a delegação do Hamas foi composta pelo principal dirigente do movimento em Gaza, Mahmoud Zahar, e por Moussa Abou Marzouk, responsável do Hamas em Damasco, adiantou a AFP.

Um porta-voz do Hamas, Tahir al-Nounou, disse à BBC que “o acordo deverá ser assinado daqui a uma semana” e adiantou: “As autoridades do Cairo irão convidar Mahmoud Abbas e [o líder do Hamas] Khaled Meshaal, para além de representantes de todas as facções palestinianas”.

O Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, já tinha dito a 16 de Março estar “pronto a atrasar a formação de um governo” para permitir um acordo com o Hamas com vista à preparação conjunta das eleições. “Estou pronto para ir amanhã a Gaza para pôr fim às divisões e formar um governo de personalidades nacionais independentes para preparar as eleições”, disse então, citado pela AFP.

O acordo segue-se a vários encontros preparatórios. A 26 de Março Abbas recebeu na Cisjordânia representantes do Hamas, mas até agora nenhuma tentativa de aproximação entre os dois movimentos tinha resultado num acordo que agora deverá ser assinado.

Os dois grupos terão pela frente inúmeras dificuldades, como a forma como irão garantir a segurança dos territórios palestinianos ou governar Gaza e a Cisjordânia, separados por território israelita, sublinhou o correspondente da BBC no Cairo, Jonathan Head. Outra questão será o reconhecimento do Hamas por parte dos doadores internacionais.

O anúncio do acordo foi recebido com optimismo por parte de diversos analistas, mas também com reservas. “O que aconteceu é um bom passo que pode avançar se ambos os lados puserem o interesse palestiniano no topo das suas prioridades”, disse à AFP Hani Habib, analista político em Gaza. “Mas as questões em causa são tão complicadas que precisamos ser cautelosos”, adiantou. “No passado já vimos acordos assinados e governos formados que depois colapsaram.”

Também Uzi Rabi, especialista no conflito do Médio Oriente na Universidade de Telavive, disse à AFP que esta é “uma movimentação táctica dos palestinianos e dos egípcios em que ambos têm muito a ganhar com este acordo que irá pressionar Israel e os Estados Unidos, apesar de as diferenças entre a Fatah e o Hamas, que permanecem e ficarão expostas a longo prazo”.

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Uma boa notícia

Uma boa noticia.Para fazer frente a um estado-pária que não hesita perante nada nem ninguém,que ...

Tomás Guevara

27.04.2011 21:04

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