As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) prometeram nesta quarta-feira libertar diversos reféns – sem avançar, porém, uma data concreta – após uma jornada de indignação nacional contra os sequestros e mortes levados a cabo pela guerrilha. Milhares de colombianos gritaram “liberdade, liberdade”.
Num texto datado de 1 de Dezembro e difundido na terça à noite pelo site das FARC, o secretariado (órgão dirigente) da guerrilha promete “concretizar (...) a libertação unilateral de prisioneiros de guerra”.
A guerrilha também garantiu querer continuar o combate de Alfonso Cano, o líder morto em combate no passado dia 4 de Novembro, um homem que “sempre arriscou a vida para uma solução política para o conflito”, indicaram as forças revolucionárias.
O Presidente colombiano Juan Manuel Santos reagiu a este comunicado exigindo a libertação da totalidade dos reféns em posse da guerrilha marxista, afirmando que esse gesto será encarado como um sinal de “vontade de paz”. “Uma das maneiras de exprimir essa vontade é libertando os reféns de forma unilateral, sem condições, sem show”, declarou.
Esta mensagem das FARC é difundida dez dias após o assassinato, no dia 26 de Novembro, de quatro membros das forças da ordem, reféns da guerrilha há 12 anos, incluindo o mais antigo sequestrado das forças marxistas, Jose Libio Martinez, raptado a 21 de Dezembro de 1997.
Os quatro homens foram mortos pelos seus carcereiros, no meio de um combate com o Exército, segundo avançaram as autoridades. As FARC responsabilizam o Estado pela morte dos reféns, assegurando que eles deveriam ter sido libertados e que a operação policial fez abortar essa solução.
Foi precisamente a morte destes quatro reféns que suscitou a indignação de milhares de colombianos que responderam manifestando-se pelas ruas da Colômbia. As manifestações foram organizadas por organizações independentes e governamentais.
“Liberdade, liberdade, liberdade”, gritaram os manifestantes, maioritariamente vestidos de branco, pelas ruas de Bogotá, Cali, Medellin e outras cidades colombianas. O Presidente também esteve nestas manifestações.
As FARC, fundadas em 1964, terão neste momento em sua posse – segundo dados oficiais – pelo menos 11 polícias e militares que pretendem trocar pela liberdade de diversos guerrilheiros encarcerados.
As FARC têm igualmente em sua posse um número indeterminado de civis, essencialmente nas cordilheiras do sudoeste do país e em zonas fronteiriças.



