A guerrilha colombiana revelou que o comandante morto sábado, no Equador, estava a preparar um encontro com o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, com vista à libertação da franco-colombiana Ingrid Betancourt.
A informação consta de um comunicado publicado hoje pela Agência Bolivariana de Imprensa (ABP), um órgão próximo das FARC, no qual a guerrilha colombiana adianta que o ataque militar põe em causa a libertação de mais reféns.
O encontro entre Raul Reyes e Sarkozy visava, adianta a nota, “encontrar soluções para resolver a situação de Ingrid Betancourt”, a antiga senadora colombiana sequestrada em 2001 durante a campanha para as presidenciais.
Questionada sobre esta informação, a presidência francesa recusou fazer qualquer comentário.
Na passada sexta-feira – dia em que foram libertados quatro ex-congressistas colombianos em poder da guerrilha – Sarkozy voltou a pedir às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) que entregassem Betancourt. O Presidente francês dizia mesmo estar “disposto” a ir buscá-la à fronteira entre a Colômbia e a Venezuela se tal se revelasse necessário.
Por seu lado, a diplomacia francesa revelou que o Presidente colombiano, Álvaro Uribe, “estava ao corrente” dos contactos com Reyes feitos, quer pela França, quer pela Espanha e Suíça, para conseguir a libertação de Betancourt.
Já ontem, o Presidente equatoriano, Rafael Correa, tinha dito que o Exército colombiano, ao lançar a operação transfronteiriça para abater Reyes, travou a libertação de mais reféns. Segundo o responsável, as negociações para a libertação de 11 reféns, incluindo Betancourt” estavam “muito avançadas” mas foram frustradas pelo ataque.
No comunicado, a guerrilha colombiana dirige-se “aos Presidentes Hugo Chavez, Nicolas Sarkozy, Rafael Correa, Daniel Ortega, Cristina Kirchner e Evo Morales, a todos os governos amigos e às famílias dos prisioneiros” para “continuarem a lutar pela desmilitarização” das duas zonas onde a guerrilha pretende proceder à troca de reféns.
A liderança das FARC anuncia ainda que Reyes será substituído pelo “comandante Joaquín Gomez” no secretariado da guerrilha, organismo que chefia a guerrilha e integra sete elementos.
A morte do “número dois da guerrilha”, numa operação que matou outros 17 guerrilheiros, está a provocar uma crise regional sem precedentes nos últimos anos, com a Venezuela e o Equador a enviarem tropas para a fronteira com a Colômbia, a quem acusam de desrespeito pela integridade territorial dos países vizinhos.
Na resposta, o Presidente colombiano acusou as duas capitais vizinhas de ligações à guerrilha marxista, tendo mesmo acusado o seu homólogo colombiano de financiar as FARC em 300 milhões de dólares.



