Familiares de vítima dos protestos do G20 querem explicações depois de vídeo mostrar que houve agressão da polícia

08.04.2009 - 09:32 Por PÚBLICO
A família de Ian Tomlinson, o homem que morreu no primeiro dia de manifestações contra o G20 em Londres, exige explicações sobre as circunstâncias da morte depois de um vídeo ontem publicado no site do jornal britânico "The Guardian" mostrar que a vítima, antes de morrer, foi agredida por um agente policial. A autópsia revelada na sexta-feira revelou que Ian Tomlinson, de 47 anos, sucumbiu a um ataque cardíaco.
As imagens que captam os momentos anteriores à morte, na quarta-feira, 1 de Abril, mostram Tomlinson a caminhar tranquilamente, de mãos nos bolsos, no meio da multidão, de costas voltadas e sem falar com os polícias que seguiam atrás dele. Mas um grupo de agentes com cães e equipamento anti-motim tentaram fazê-lo avançar mais depressa. A vítima, um vendedor de jornais que regressava do trabalho, não ofereceu resistência.
Num primeiro momento, as imagens mostram aquilo que parece ser um dos agentes a dar-lhe uma bastonada. As imagens seguintes não deixam dúvidas: o mesmo polícia avança e dá um empurrão nas costas a Tomlinson com as duas mãos. Este cai num voo no chão. A partir daí é ajudado a levantar-se por pessoas no local.
O homem que filmou o momento e entregou o vídeo ao "Guardian" é um gestor de fundos de Nova Iorque. Estava de passagem em Londres numa viagem de negócios e juntou-se à manifestação por curiosidade, conta o jornal. “A principal razão por que mostrei estas imagens foi que estava a ser claro para mim que a família não estava a receber respostas”, disse ao "Guardian".
Antes de serem conhecidas estas imagens e os testemunhos recolhidos pelo diário, a família tinha declarado num comunicado: “Havia tantas pessoas à volta de Ian, e tantas pessoas com câmaras, que alguém deve ter visto o que passou na passagem do Royal Exchange [uma zona comercial da City londrina]. Precisamos de saber o que se passou e se teve alguma coisa a ver com a morte de Ian.”
Agora, com o vídeo e uma série de novos depoimentos de testemunhas que também comprometem a polícia, e entregues no mesmo dossier de provas compilado pelo próprio Guardian e entregue à Comissão Independente de Queixas contra a Polícia (IPCC, na sigla em inglês) que está a investigar o caso a pedido da própria polícia desde quinta-feira.
O Partido Liberal-Democrata repudiou “o ataque perturbador e não provocado” da polícia, e pediu um inquérito criminal aos acontecimentos desse fim de tarde de quarta-feira. "O agente em causa e os outros agentes que se vêem no vídeo deviam assumir imediatamente" o que aconteceu, disse o porta-voz dos Liberais-Democratas para os assuntos de Justiça David Howarth.
Uma das testemunhas ouvidas pelo "Guardian", Anna Branthwaite, fotógrafa, diz ter visto o que se passou mesmo minutos antes daquilo que é registado pelas imagens. “Não foi só um empurrão – tornou-se um verdadeiro ataque”, diz numa referência às bastonadas que viu o agente dar a Ian Tomlinson, que viria mais tarde a morrer de ataque cardíaco, segundo revelou a autópsia.

