Manuel Zelaya, o Presidente das Honduras deposto por um golpe de Estado a 28 de Junho, terá estado prestes a deixar ontem a embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde se encontra refugiado desde Setembro, para partir para o México, mas as negociações falharam porque Zelaya se recusa a tornar-se num exilado político.
As autoridades das Honduras instituídas após o golpe defendem que o Presidente deposto deve pedir asilo antes de partir, mas Zelaya recusa fazê-lo. “As negociações abortaram dadas as circunstâncias”, disse Carlos Lopez, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo instituído após o golpe, citado pela Reuters. A partida de Zelaya significaria que não regressará ao poder, como têm apelado os seus apoiantes, e representaria também uma vitória para Porfírio Lobo, o candidato opositor de Zelaya que venceu as eleições de 29 de Novembro, as quais não foram reconhecidas por vários países da América Latina por terem sido realizadas após o golpe.
O Presidente deposto disse em declarações a uma rádio hondurenha que gostaria de viajar para o México mas salientou que “em nenhuma circunstância isto significará um pedido de asilo ou para abdicar do cargo” de Presidente.
Entretanto, as autoridades mexicanas adiantaram que pediram um salvo-conduto para que o Presidente deposto possa deixar as Honduras, mas o Governo hondurenho exigiu que fosse feito um pedido de asilo. “A embaixada do México apresentou-nos um pedido de salvo-conduto, mas infelizmente não o poderemos aceitar uma vez que não contém um pedido de asilo”, disse o ministro do Interior do Governo instituído após o golpe, Oscar Raul Matute. As negociações estarão ainda em curso, segundo informações dadas pelo Governo mexicano à AFP. Chegou a ser anunciado o envio de um avião mexicano para as Honduras para ir buscar Zelaya à embaixada do Brasil em Tegucigalpa e, em declarações à Rádio Globo, o Presidente deposto disse estar a negociar “uma solução consensual” que lhe permitiria continuar a sua actividade política no exterior. A sua posição está agora mais fragilizada depois de o Congresso hondurenho ter decidido que não poderá regressar ao poder após as eleições de 29 de Novembro para completar o mandato que termina no próximo mês.
Zelaya foi deposto por militares, que o foram buscar a casa de manhã cedo e o levaram de pijama para a Costa Rica no dia em que tentava realizar um referendo. Essa votação abriria caminho a uma mudança constitucional que, a concretizar-se, permitiria ao Presidente concorrer a um novo mandato presidencial. Esta crise tem causado uma divergência entre os vários países da América Latina, uma vez que o Brasil tem recusado reconhecer as eleições, tal como a Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua e Equador, enquanto a Costa Rica, Colômbia, Peru e Panamá já defenderam o reconhecimento da votação. A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton defendeu hoje que o escrutínio representa “uma importante viragem” no sentido do restabelecimento da democracia nas Honduras.



