• Já cheira a Verão
  • É possível convencer uma cidade a andar de bicicleta?
  • Petiscos com frango, das moelas à batata doce

Presidente deposto das Honduras recusa pedir asilo político

Falharam as negociações para levar Zelaya para o México

10.12.2009 - 14:07

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Zelaya está desde Setembro na embaixada do Brasil em Tegucigalpa Zelaya está desde Setembro na embaixada do Brasil em Tegucigalpa (Edgard Garrido/Reuters)
Manuel Zelaya, o Presidente das Honduras deposto por um golpe de Estado a 28 de Junho, terá estado prestes a deixar ontem a embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde se encontra refugiado desde Setembro, para partir para o México, mas as negociações falharam porque Zelaya se recusa a tornar-se num exilado político.

As autoridades das Honduras instituídas após o golpe defendem que o Presidente deposto deve pedir asilo antes de partir, mas Zelaya recusa fazê-lo. “As negociações abortaram dadas as circunstâncias”, disse Carlos Lopez, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo instituído após o golpe, citado pela Reuters. A partida de Zelaya significaria que não regressará ao poder, como têm apelado os seus apoiantes, e representaria também uma vitória para Porfírio Lobo, o candidato opositor de Zelaya que venceu as eleições de 29 de Novembro, as quais não foram reconhecidas por vários países da América Latina por terem sido realizadas após o golpe.

O Presidente deposto disse em declarações a uma rádio hondurenha que gostaria de viajar para o México mas salientou que “em nenhuma circunstância isto significará um pedido de asilo ou para abdicar do cargo” de Presidente.

Entretanto, as autoridades mexicanas adiantaram que pediram um salvo-conduto para que o Presidente deposto possa deixar as Honduras, mas o Governo hondurenho exigiu que fosse feito um pedido de asilo. “A embaixada do México apresentou-nos um pedido de salvo-conduto, mas infelizmente não o poderemos aceitar uma vez que não contém um pedido de asilo”, disse o ministro do Interior do Governo instituído após o golpe, Oscar Raul Matute. As negociações estarão ainda em curso, segundo informações dadas pelo Governo mexicano à AFP. Chegou a ser anunciado o envio de um avião mexicano para as Honduras para ir buscar Zelaya à embaixada do Brasil em Tegucigalpa e, em declarações à Rádio Globo, o Presidente deposto disse estar a negociar “uma solução consensual” que lhe permitiria continuar a sua actividade política no exterior. A sua posição está agora mais fragilizada depois de o Congresso hondurenho ter decidido que não poderá regressar ao poder após as eleições de 29 de Novembro para completar o mandato que termina no próximo mês.

Zelaya foi deposto por militares, que o foram buscar a casa de manhã cedo e o levaram de pijama para a Costa Rica no dia em que tentava realizar um referendo. Essa votação abriria caminho a uma mudança constitucional que, a concretizar-se, permitiria ao Presidente concorrer a um novo mandato presidencial. Esta crise tem causado uma divergência entre os vários países da América Latina, uma vez que o Brasil tem recusado reconhecer as eleições, tal como a Venezuela, Cuba, Bolívia, Nicarágua e Equador, enquanto a Costa Rica, Colômbia, Peru e Panamá já defenderam o reconhecimento da votação. A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton defendeu hoje que o escrutínio representa “uma importante viragem” no sentido do restabelecimento da democracia nas Honduras.

Estatísticas

  • 4 leitores
  • 2 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1413330

Comentário + votado

Agora queriam que Zelaya fosse exilado...

...mas parece que não se safam, pois Zelaya não lhes faz o jogo. Ele continua sendo o ...

Luis

10.12.2009 15:23

X

Mais em Mundo (9 de 14 artigos)

Obama na entrega do prémio Obama defende a "guerra justa" na entrega do Nobel da Paz