Extradição recusada: Itália convoca embaixador no Brasil por causa do caso Battisti

27.01.2009 - 13:48 Por Nuno Amaral, São Paulo
A recusa do Brasil em extraditar para Itália o antigo militante de extrema-esquerda Cesare Battisti agudizou a crispação entre os dois países. O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Franco Frattini, considerou hoje "muito grave" e "inaceitável" a decisão do procurador-geral da República do Brasil, António Fernando de Souza, que sugeriu o arquivamento do processo de extradição do operacional do grupo Proletários Armados pelo Comunismo.
Desde que o Governo brasileiro concedeu estatuto de refugiado político a Battisti, condenado a prisão perpétua por um tribunal italiano, que se assiste a uma escalada no tom das declarações proferidas pelas autoridades de Roma. Alguns dirigentes já sugerirem até um embargo a produtos oriundos do Brasil.
"Esperávamos uma reflexão mais aprofundada [do Supremo Tribunal Federal]. A resposta saiu em apenas 48 horas sem uma avaliação com a profundidade que esperávamos. Parece que simplesmente acataram a decisão política do ministro da Justiça brasileiro [Tarso Genro] ", disse Frattini.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros italiano explicou que não se trata de uma retirada definitiva do embaixador. "Estamos a tomar uma decisão política de chamar para consultas o nosso embaixador em Brasília", explicou um porta-voz.
Esta semana, perante o clima de tensão instalado entres os dois países, o Presidente Lula da Silva viu-se forçado a explicar que o Brasil "é soberano" para recusar um pedido de extradição e que o Ministério da Justiça "agiu em conformidade com os factos".
Cesare Battisti, ex-membro da organização PAC (Proletários Armados pelo Comunismo), foi condenado a prisão perpétua em Itália por quatro homicídios cometidos na década de 70. Foi detido no Rio de Janeiro em Março de 2007 e considerado refugiado político no último dia 13 pelo ministro da Justiça.


