Três pessoas que estiveram em contacto com o ex-espião russo Alexander Litvinenko, que faleceu na quinta-feira da semana passada, suspeitando-se de envenenamento, vão ser sujeitas a testes radiológicos.
Uma quantidade significativa do isótopo radioactivo polónio-210 foi detectada no corpo de Alexander Litvinenko, bem como na sua casa de Londres, num restaurante e num hotel por onde passou antes de ter adoecido. As autoridades sanitárias do Reino Unido disponibilizaram-se para examinar as pessoas que frequentaram aqueles lugares.
Uma porta-voz da Agência de Protecção da Saúde britânica já confirmou que mais de 450 pessoas ligaram para uma linha de emergência providenciada pelo Governo e que 18 estão a ser acompanhadas pelas autoridades. "Dessas 18 pessoas, três vão ser sujeitas a exames radiológicos, por precaução", adiantou.
As autoridades de saúde britânicas afirmam que o antigo espião russo Alexander Litvinenko foi envenenado com uma substância altamente radioactiva. "Os testes determinaram que Litvinenko tinha no seu corpo uma quantidade significativa do isótopo radioactivo polónio-210", lê-se num comunicado da Agência de Protecção da Saúde britânica, acrescentando que "não é claro como é que esta substância entrou no corpo" do antigo agente do KGB.
Para a chefe da agência, Pat Troop, o nível de contaminação detectado só é possível se a substância tiver sido "ingerida, inalada ou se tiver entrado no corpo através de uma ferida". "Sabemos que ele esteve sujeito a uma dose maciça", afirmou a responsável.
Litvinenko, exilado há vários anos no Reino Unido, faleceu na quinta-feira à noite no London University College Hospital, onde se encontrava internado há três semanas depois de ter sido alegadamente envenenado. O espião dizia ter sido envenenado durante um jantar com empresários russos, no passado dia 1 de Novembro, num hotel da capital britânica.
Numa carta escrita 48 horas antes de falecer, divulgada na sexta-feira passada, o antigo espião responsabiliza o Presidente russo, Vladimir Putin, pela sua morte, acusando-o de "não ter respeito pela vida, pela liberdade e pelos valores da civilização". O chefe de Estado russo reagiu, considerando que a morte de Litvinenko está a ser aproveitada politicamente.
Polónio
O polónio foi descoberto em 1898 pelos físicos Pierre e Marie Currie, que o baptizaram em homenagem ao seu país de origem, a Polónia, tendo sido um dos primeiros elementos a ser descoberto graças à sua radioactividade. Raríssimo na natureza e muito instável, o polónio é altamente radioactivo, o que torna difícil o estudo dos seus compostos e a sua aplicação.



