Exército paquistanês anuncia ter repelido incursão aérea norte-americana

22.09.2008 - 19:02 Por AFP, PÚBLICO
As tropas paquistanesas dispararam contra dois helicópteros norte-americanos que se preparavam para entrar no espaço aéreo do país, sobrevoando as zonas tribais junto à fronteira com o Paquistão. O incidente, que ainda não mereceu comentário por parte dos EUA, ocorre num momento de tensão entre os dois países, depois de uma incursão terrestre, no início deste mês.
O Exército paquistanês revela que o incidente ocorreu no distrito de Ghulam Khan, uma zona pouco povoada do Waziristão Norte, área dominada por tribal dominada por clãs suspeitos de darem apoio a extremistas paquistaneses e afegãos.
Em declarações à AFP, um responsável da segurança paquistanesa explicou que a incursão aérea foi repelida por soldados do Exército regular e paramilitares responsáveis pela vigilância fronteiriça.
“Os dois helicópteros dirigiam-se para a nossa fronteira. [Os soldados] estavam alerta e quando os aparelhos estavam sobre a linha de fronteira dispararam tiros anti-aéreos”, contou o responsável, que pediu para não ser identificado. “Cerca de 30 minutos depois, fizeram uma nova tentativa. Retaliámos, disparando novamente para o ar, não na sua direcção [...] e eles acabaram por partir”, acrescentou a mesma fonte, garantindo que os helicópteros norte-americanos não responderam aos disparos.
Até ao momento, o incidente denunciado pelas tropas paquistanesas ainda não mereceu qualquer comentário das forças norte-americanas estacionadas no Afeganistão.
Há vários meses que aviões dos EUA, na sua maioria não tripulados, lançam raides aéreos contra as zonas tribais, onde suspeitam estar refugiados elementos importantes da rede terrorista Al-Qaeda e dos taliban afegãos.
O Governo paquistanês contesta a maioria destas acções, lançadas sem o seu conhecimento, e o tom dos protestos aumentou depois de, a 3 de Setembro, uma suposta incursão terrestre das forças especiais norte-americanas ter provocado 15 mortos, que Islamabad garante serem civis.
Sob pressão dos EUA, que acusa o Paquistão de nada fazer para eliminar os bastiões extremistas, o Exército paquistanês lançou uma operação de grande envergadura contra vários distritos das regiões tribais, reivindicando a morte de centenas de rebeldes. Sábado, num discurso perante o Parlamento, o novo Presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, prometeu não dar tréguas aos terroristas, mas garantiu que não iria tolerar novas violações da sua soberania territorial. Horas depois desta intervenção, um camião armadilhado explodiu junto ao Hotel Marriott em Islamabad, matando 53 pessoas, numa acção atribuída à Al-Qaeda.

