Exército israelita arquiva investigação a denúncias de abusos em Gaza

30.03.2009 - 18:44 Por Adelino Gomes, A.F.P.
O Exército israelita ordenou o arquivamento do inquérito às suspeitas de que os seus soldados mataram civis desarmados durante a ofensiva de Janeiro contra a Faixa de Gaza. O procurador-geral militar alega que os soldados que fizeram as denúncias não testemunharam os incidentes e basearam-se em rumores.
As averiguações da Polícia Militar centraram-se nos relatos de antigos alunos de um curso pré-militar que num regresso à academia, no início deste mês, contaram como as unidades em que estavam inseridos mataram mulheres e crianças. As denúncias, as primeiras de uma séria feitas por efectivos que participaram na operação em Gaza, levantaram a suspeita de que os militares violaram repetidamente as regras de combate, ao atacar civis desarmados e destruir as suas casas.
Um deles, identificado pelo nome de Aviv, contou que um camarada recebeu ordens para disparar e matar uma idosa que caminhava a cem metros de uma casa onde a sua unidade estava instalada. Mais tarde, terá confessado que não assistiu ao incidente e “limitou-se a contar um rumor que ouviu”. Os investigadores dizem que o militar se estaria a referir a uma mulher, suspeita de ser uma bombista suicida, morta pelos soldados depois de ter ignorado várias ordens para não se aproximar do grupo.
A Polícia Militar concluiu também não serem verdadeiras as afirmações de outro soldado, que contou como um sniper matou uma mãe e duas crianças que seguiram um caminho errado ao saírem de casa. Os militares dizem que os disparos não atingiram os civis, tendo sido feitos contra suspeitos que se encontravam numa direcção oposta. Os investigadores consideram também infundadas outras duas denúncias de disparos injustificados que chegaram à imprensa nas últimas semanas.
No comunicado em que ordena o encerramento das investigações, o general Avichai Mendelblit lamenta a atitude dos soldados, sublinhando que “será difícil avaliar o prejuízo causado ao moral e à imagem do Exército” pela difusão dos seus relatos. O ministro da Defesa, Ehud Barak, congratulou-se com os resultados do inquérito e reafirmou a sua confiança num Exército que é “um dos mais morais” do mundo.
Contudo, organizações israelitas de defesa dos direitos humanos dizem que “o rápido encerramento das investigações levanta a suspeita que se tratou de uma mera tentativa do Exército para lavar as mãos de qualquer culpa pelas actividades ilegais” cometidas pelos seus militares.

