O Exército iraquiano lançou esta manhã uma operação para garantir o controlo de Bassorá, principal cidade no Sul do Iraque e um dos bastiões do Exército de Mahdi, a milícia leal a Moqtada al-Sadr. O líder radical xiita já ameaçou desencadear uma campanha nacional de protesto se o Governo não cessar os ataques contra o seu movimento.
Nas últimas horas registaram-se intensos tiroteios no centro e na área a norte da cidade, duas das zonas controladas pela milícia xiita. Testemunhas adiantam que as ruas do centro da cidade estão desertas, sendo audíveis rajadas de armas automáticas e algumas explosões. Fontes hospitalares confirmam a morte de pelo menos quatro pessoas, mas outras fontes admitem que o número de vítimas ultrapasse já uma dezena.
O Estado-Maior britânico garantiu que não há tropas britânicas (estacionadas no aeroporto da cidade) envolvidas nas operações terrestres, mas a aviação americana estará a dar apoio aéreo aos militares iraquianos.
A operação, desencadeada horas depois de imposto o recolher obrigatório nocturno na região, está a ser acompanhada em Bassorá pelo primeiro-ministro, Nuri al-Maliki, também ele xiita, num sinal da importância que o Governo dá à reconquista do controlo da região, onde se encontram as principais reservas petrolíferas do país.
Reagindo a esta ofensiva, o líder radical xiita ameaçou mobilizar os seus simpatizantes para uma “revolta civil” a nível nacional se o Governo não puser de imediato fim às ofensivas contra o seu movimento.
Num comunicado divulgado hoje em Najaf, principal centro religioso para os xiitas iraquianos, Sadr explica que os protestos serão graduais, começando por “manifestações e uma greve geral em todas as províncias iraquianas”.
“Se o Governo não nos escutar, vamos apelar à desobediência civil em Bagdad e noutras província do país”, adianta a nota, lida por um dos colaboradores do jovem líder político, raramente visto em público. Caso as reivindicações continuem a não ser ouvidas, o movimento ameaça recorrer a “outros métodos”.
Sadr retoma oposição armada
Sadr – que contesta a legitimidade do Governo de unidade nacional e exige a saída imediata dos militares americanos do país – decretou um cessar-fogo em Agosto do ano passado e desde então a sua milícia manteve uma actividade muito discreta. No entanto, Sadr ontem anunciou uma campanha de “desobediência civil” para exigir a libertação de líderes milicianos detidos pelo Governo.
Reagindo ao apelo de Sadr, centenas de apoiantes manifestaram-se em Bagdad, enquanto a milícia saiu à rua nos bairros sob seu controlo para garantir que os comerciantes respeitavam a ordem de greve. Em Sadr City, um dos mais pobres e populosos subúrbios do país, o Exército de Mahdi assumiu o controlo das ruas, envolvendo-se em confrontos com a Organização Badr, a milícia rival leal ao maior partido político xiita.
Entretanto, há informações de que os homens de Sadr tomaram vários bairros de Kut, uma das quatro cidades do Sul do país onde está em vigor o recolher obrigatório.
Contando com perto de 60 mil efectivos, distribuídos pelos principais bastiões xiitas de Bagdad e do Sul do país, o Exército de Mahdi é uma das mais poderosas milícias que actuam à margem das forças de segurança iraquianas. Inspirados pelo discurso jovem líder radical, muito popular nas mesquitas dos bairros mais pobres, centenas de jovens continuam a alistar-se na milícia, que conta com um importante arsenal baseado em armas ligeiras, mas também lança-“rockets” e metralhadoras pesadas.



