Exército etíope controla bastiões estratégicos dos rebeldes em Mogadíscio

26.04.2007 - 19:46 Por AFP
O Exército etíope, aliado do Governo somali, anunciou hoje ter conseguido controlar bastiões rebeldes em Mogadíscio durante os combates mais violentos desde o início de uma ofensiva militar etíope lançada no passado dia 17, que provocou pelo menos 58 mortos e 65 feridos.
Sudan Ali Ahmed, director da ONG Elman Peace and Human Rights Organisation, indicou à AFP que as vítimas mortais destes confrontos elevam para 400 o número de mortos, a maioria civis, desde dia 17 de Abril. “Assistimos hoje aos piores combates. As forças etíopes utilizaram uma potente força de fogo no norte de Mogadíscio”, acrescentou o responsável, sublinhando que grande parte da capital somali está “nas mãos dos etíopes”.
Em comunicado, a Liga Árabe denunciou a “continuação das operações militares contra civis” e apelou a “todas as partes um cessar-fogo imediato”.
Por sua vez, o primeiro-ministro somali, Ali Mohamed Gedi, afirmou aos jornalistas ter “praticamente terminado o combate contra os rebeldes da Al-Qaeda em Mogadíscio”. “As forças governamentais tomaram o controlo dos seus principais bastiões no norte da cidade”, alegou o chefe de Governo. “Esperamos poder terminar a guerra amanhã”, reforçou. Segundo Gedi, os combates em curso opõem “terroristas ligados à Al-Qaeda e o Governo apoiado pelos etíopes”.
O correspondente da AFP avançou que desde o início da tarde de hoje a troca de tiros entre as duas facções tem sido esporádica. Testemunhas avançaram à agência noticiosa que os soldados etíopes assumiram o controlo do sector de Balad, posição estratégica para o abastecimento dos rebeldes. As mesmas fontes acrescentaram que a artilharia e viaturas militares etíopes devastaram as linhas de defesa rebelde no sector e que depois a infantaria tomou de assalto essa posição.
Esta manhã, colunas de blindados etíopes foram mobilizadas para o norte de Mogadíscio para combater os rebeldes, tendo sido registadas várias explosões de morteiros e rajadas de metralhadoras.
Perto de 400 mil pessoas fugiram da capital, com cerca de um milhão de habitantes, desde o início de Fevereiro último, revelou o responsável da ONU para os Assuntos Humanitários, John Holmes.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas anunciou, por sua vez, ter distribuído hoje ajuda alimentar a 32 mil deslocados em seis locais distintos a oeste de Mogadíscio, nomeadamente em Afgoye, 30 quilómetros a sudoeste da cidade. Ainda de acordo com o PAM, uma coluna de nove camiões transportaram 320 toneladas alimentos até à capital, depois de ter sida recebida “luz verde” pelo Governo de transição somali.
O Exército etíope entrou na Somália no final do ano passado para derrotar os tribunais islâmicos, que apelaram à guerra santa contra o regime de Addis Abeba e rejeitaram a autoridade do Governo de transição, em funções desde 2004 para estabilizar um país em guerra civil há 16 anos.

