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Um dia depois de motim às portas de Tbilissi

Exercícios da NATO começam na Geórgia sem mudanças de planos

06.05.2009 - 09:57 Por Dulce Furtado

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Ministra dos Negócios Estrangeiros da Geórgia com secretário-geral da NATO em Dezembro de 2008 Ministra dos Negócios Estrangeiros da Geórgia com secretário-geral da NATO em Dezembro de 2008 (Yves Herman/Reuters )
A NATO deu esta manhã início a três semanas de exercícios em território da ex-república soviética da Geórgia sob uma vaga de críticas vindas de Moscovo, que vê aqui um reforço da componente militar da Aliança às portas da Rússia. As manobras começaram como previsto, um dia depois de um motim ter ocorrido numa base perto da capital da Geórgia.

A curta e pequena rebelião da véspera, na base de infantaria de Mukhrovani, intensificou a troca de farpas entre a Rússia e a Geórgia – que em Agosto passado travaram uma guerra de cinco dias, iniciada com a tentativa de Tbilissi de recuperar o controlo da sua região separatista da Ossétia do Sul. As autoridades georgianas não hesitaram em apontar responsabilidades a Moscovo pelo motim, que dizem mesmo ter sido coordenado com e financiado pelos serviços secretos russos com o objectivo máximo de levar a cabo um golpe de Estado contra o Presidente georgiano, Mikhail Saakachvili.

Ou, pelo menos, de desestabilizar as manobras militares da NATO que prosseguirão até 1 de Junho, envolvendo mil soldados de 19 países membros da Aliança, numa base – em tempos ocupada pelos russos, antes da Revolução Rosa que virou Tbilissi a Ocidente – que não dista mais de 70 quilómetros das posições russas mais próximas na Ossétia do Sul.

A Rússia rejeitou aquelas acusações, qualificando-as como expressão de uma “imaginação doentia” e avaliando que Saakachvili – a braços com uma constante, mesmo se de pouca monta, contestação interna – estaria a tentar desviar as atenções dos protestos da oposição georgiana que exige a demissão do Presidente georgiano. Mas, ao mesmo tempo, manteve o tom feroz de crítica aos exercícios da NATO, reiterando, de resto, que constituem uma violação do cessar-fogo firmado, com mediação da União Europeia, para pôr termo à guerra do Verão passado.

Nada no ferver de tensões dos últimos dias – nem mesmo o suposto golpe de Estado descoberto e fracassado pelas autoridades georgianas na véspera – mudou algo ao calendário das manobras da NATO, agendadas ao abrigo do programa da Aliança Parcerias para a Paz. Os exercícios consistem em treinos de “resposta a situações de crise” de contra terrorismo ou eventuais ataques com armas de destruição maciça e “não apresentam qualquer ameaça para a Rússia”, segundo a NATO.

“O secretário-geral da NATO [Jaap de Hoop Scheffer] crê que ninguém deve interpretar erradamente estes exercícios. Isto não é um exercício da NATO, mas sim um exercício da NATO com os seus parceiros. Os exercícios não têm nada a ver com a Geórgia, não têm nada a ver com a Rússia. A Geórgia é apenas anfitriã dos exercícios”, afirmou esta manhã a porta-voz da Aliança. Carmen Romero, citada pela Reuters.

São, também, consensualmente vistos pelos analistas como um gesto expresso de solidariedade para com a Geórgia, cujas ambições de adesão à NATO foram praticamente reduzidas a zero depois da guerra travada com a Rússia – mas que não tinham, de resto, grande consistência já antes disso, tendo sido recusada a Tbilissi a entrada na antecâmara de integração na Aliança, mais de cinco meses antes, na cimeira da NATO em Bucareste.

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Natices

É obvio que este exercicio é para provocar os russos, e estes no caso deviam retaliar com ...

JMM

06.05.2009 21:42

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