O ex-ditador etíope Mengistu Hailé Mariam, acusado de genocídio e exilado no Zimbabwe, foi condenado hoje a prisão perpétua, à revelia, pelo Supremo Tribunal Federal da Etiópia, depois de um processo que decorreu durante dez anos.
Em reacção ao veredicto, o Governo zimbabweano colocou de parte a hipótese de extraditar Mengistu e renovou-lhe o seu apoio, classificando-o como "um convidado especial" que teve um papel importante na luta pela libertação do Zimbabwe, antiga colónia britânica.
Mengistu Hailé Mariam ainda não se pronunciou publicamente sobre o veredicto. O acesso à sua casa no bairro de Gunhill, em Harare, foi bloqueado pelas autoridades.
"Depois de ter analisado os pedidos de clemência e a punição exemplar pedida pelo procurador, o tribunal decidiu condenar o culpado número um à prisão perpétua", disse o juiz Nur Mohamed.
O coronel Mengistu, que vive no exílio no Zimbabwe desde 1991, foi considerado culpado no dia 12 de Dezembro por genocídio por crimes cometidos durante o período conhecido como "terror vermelho" (1977-1978).
No total, 50 acusados foram condenados à prisão perpétua. Apenas quatro arguidos escaparam à prisão para toda a vida. Hoje, apresentaram-se na sala de audiência 33 acusados e os restantes foram julgados à revelia.
Os advogados de defesa e o procurador podem recorrer das sentenças junto do Supremo Tribunal.


