Europa aguarda resultados do único país que referendou o Tratado de Lisboa

13.06.2008 - 09:18 Por Isabel Arriaga e Cunha
A abstenção no referendo irlandês sobre o Tratado de Lisboa foi superior a 50 por cento. Os resultados só serão conhecidos durante a tarde de hoje. Presos deste suspense que deixa o futuro da União Europeia em jogo, os governantes dos restantes 26 países prometiam ontem continuar o processo de ratificação, deixando ao Governo de Dublin, liderado por Brian Cowen, a responsabilidade de encontrar uma solução para salvar o texto já aceite por 18 países.
Esta determinação ficou patente depois de o Reino Unido, o único país que poderia levantar dúvidas sobre o futuro do tratado, ter afirmado a intenção de prosseguir a ratificação.
Mesmo que o referendo da Irlanda produza um resultado negativo, Downing Street pretende "continuar como previsto", explicaram diplomatas britânicos em Londres e Bruxelas. "Este Governo tem a intenção de completar o programa legislativo em curso sobre o Tratado de Lisboa". O que significa que o texto será submetido na próxima semana a um debate na Câmara dos Lordes, depois de os Comuns já o terem aprovado em Março.
Esta clarificação dissipa as dúvidas alimentadas por alguns países sobre um eventual abandono da ratificação no Reino Unido, como aliás fez o ex-primeiro-ministro Tony Blair, em 2005, depois de a França e Holanda terem rejeitado a Constituição Europeia.
Vários países temiam agora que o seu sucessor, Gordon Brown, fizesse o mesmo, para não ficar de novo submetido à pressão da sua opinião pública para submeter o Tratado de Lisboa a referendo.
A clarificação britânica confirma a intenção generalizada dos Vinte e Sete de continuar a ratificação, o que funciona como uma pressão adicional sobre a Irlanda, o único país da União Europeia (UE) obrigado pela sua Constituição a referendar o tratado.
Escolhas difíceis para Dublin
Se o resultado, que só hoje será conhecido, se revelar negativo, Dublin terá de escolher entre encontrar uma saída para permitir a entrada em vigor do tratado como previsto a 1 de Janeiro de 2009, ou negociar um outro tipo de relação com a UE.
A organização do referendo não permitia ontem qualquer tipo de projecções sobre o sentido de voto dos três milhões de eleitores, tanto mais que as mesas de voto só fecharam às 22h00 (mesma hora que Lisboa).
Também não havia, à hora do fecho desta edição, indicações fiáveis sobre a taxa de participação, considerada um bom indicador do que poderá ser o resultado final: quanto mais elevada for a participação, maiores serão as probabilidades de uma vitória do "sim". E vice-versa.
O elevado número de hesitantes revelado pelas sondagens nos dias anteriores deixava antever uma batalha cerrada entre os partidários da ratificação, defensores da continuação dos benefícios oferecidos pela UE, e os opositores, desconfiados relativamente a um tratado considerado incompreensível e ameaçador.
Os votos só começam a ser contados às 9h00 de hoje, podendo as primeiras projecções começar a ser conhecidas ao fim da manhã. Mas o resultado final só deverá ser formalmente anunciado ao fim da tarde.

