Perante a crescente agitação

EUA temem guerra civil em Madagáscar

11.03.2009 - 18:16 Por Jorge Heitor

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Militares frente ao Ministério da Defesa em Antanarivo Militares frente ao Ministério da Defesa em Antanarivo (Rasoanaivo Clarel Faniry/REUTERS)
O embaixador dos Estados Unidos em Antananarivo, Niels Marquardt, avisou ontem que a ilha de Madagáscar está mesmo a encaminhar-se para uma guerra civil, depois de o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Edmond Rasolofomahandry, ter sido substituído por militares que simpatizam com a oposição.

A profunda crise política malgaxe arrasta-se há umas boas seis semanas e, na terça-feira, Rasolofomahandry dera 72 horas ao Presidente Marc Ravalomanana e à oposição para se entenderem, sob pena de os militares tomarem o poder.

A resposta foi um grupo de militares dissidentes entrar no Estado-Maior General e substituí-lo, o que aumentou ainda mais a profunda confusão existente naquele país do Oceano Índico, situado frente a Moçambique.

Ao fim do dia, os novos líderes do exército fizeram saber que anulavam o ultimato de 72 horas. "Não viemos para tomar o poder, dar um golpe de Estado, ou instaurar uma junta militar. Para nós, não há nenhum utlimato", disse à AFP o novo chefe de Estado-Maior, o coronel André Andriarijaona.

Mas as conversações nacionais que deviam começar quinta-feira em Antananarivo, a capital, para acabar com os confrontos políticos foram adiados sem prazo para a retoma, depois de o chefe da oposição, Andry Rajoelina, em conflito aberto com o Presidente Marc Ravalomanana, ter recusado participar.

Perante tudo isto, o embaixador norte-americano Marquardt notou, "com grande preocupação e pesar", que se desenha uma guerra civil entre os partidários de Ravalomanana e os de Andry Rajoelina, há semanas afastado da presidência do município de Antananarivo,.

Mais de uma centena de pessoas morreram durante os primeiros meses deste ano em manifestações contra o Governo que foram organizadas por Rajoelina.

Uma pequena elite malgaxe beneficiou da liberalização da economia por Ravalomanana, um poderoso empresário de 59 anos. Mas a verdade é que as condições de vida dos pobres se agravaram, apesar do crescimento macro-económico, explicou no mês passado o IRIN, serviço de informações humanitárias das Nações Unidas.

O efeito negativo mais patente das reformas económicas introduzidas pelo actual Presidente foi aumentar o fosso entre os ricos e os pobres, o que Rajoelina, de apenas 34 anos, aproveitou para promover a contestação e para se constituir como uma espécie de poder paralelo. Os dois homens já chegaram a conferenciar, mas as suas tentativas de conciliação não deram até agora em nada.

Parte dos esforços de mediação, para evitar a guerra civil, tem estado a ser feita pelo Conselho das Igrejas Cristãs de Madagáscar (FFKM, que congrega a Igreja Católica e três confissões protestantes).

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