O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nomeou um novo responsável para os Assuntos da América Latina do Departamento de Estado, Arturo Valenzuela, um especialista da região onde diz que sem boas instituições não haverá reformas que se aguentem – até agora afirmava-se o contrário.
A Casa Branca foi buscar o técnico à Universidade de Georgetown, onde era director do Centro de Estudos Latino-americanos, lugar que passou a ocupar depois de servir a Administração democrata do Presidente Bill Clinton.
Nesses anos, Valenzuela foi assessor especial e director dos Assuntos Interamericanos do Conselho Nacional de Segurança, e, além disso, subsecretário de Estado dos mesmos assuntos no Departamento de Estado, para onde volta para substituir o actual titular – Thomas Shannon.
A par da experiência, tem várias condecorações de Governos da região, como a ordem do Cruzeiro do Sul, dada pelo Brasil, e de Boyacá, da Colômbia, de acordo com o memorando que a Casa Branca juntou ao anúncio da nomeação.
As suas especialidades são naturalmente o país de origem, o Chile, onde nasceu e donde saiu, aos 16 anos, para os Estados Unidos, e Cuba, o que o torna particularmente importante no momento em que Washington ensaia discussões informais com Havana para ajeitar as relações antes de se atirar para voos mais altos – eventualmente, o reatamento formal das relações e talvez um dia, que ninguém sabe, do levantamento do embargo em vigor há 48 anos.
O que pensa sobre a região disse-o na V Conferência Internacional da ABC/Fundação Euroamérica em Fevereiro e pode ser visto em http://abc09.euroamerica.org/009.html: a América Latina já não tem nada a ver com o que era ainda há 21 anos, quando prevalecia o autoritarismo, mas devia apostar prioritariamente nas instituições antes de se mandar para reformas de fundo, que de outra maneira não pode promover e muito menos assegurar.
“Entre as décadas de 1930 e 1980, 104 das mudanças de governo, das 277 que houve, foram através de golpes militares”, disse, chamando a atenção para a excepção, nos anos de 1990, do Haiti, o único golpe clássico da década.
Na análise do passado, Valenzuela assume que se cometeram “dois erros de fundo” – um, confundir o estabelecimento da democracia com a sua consolidação; outro, numa crítica aos economistas, a convicção de que bastavam boas reformas para que as instituições se fortalecessem, o que não aconteceu.
“Hoje temos a consciência de que a eficácia das reformas depende da qualidade das instituições, e não o contrário”, disse no encontro, referindo-se só implicitamente à influência que os Estados Unidos tiveram numa e noutras.
Aparentemente é neste sentido que irá a nova política americana na América Latina: o reforço das instituições como pressuposto de qualquer reforma. É preciso ainda dizer que tem relações privilegiadas, e até de amizade, com o actual secretário-geral da Organização de Estados Americanos, o também chileno Jose Miguel Insulza, um defensor do regresso de Cuba a esta entidade.



