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Operação de auxílio preparada pelos americanos gera críticas e elogios

EUA fortalecem presença militar no Haiti

19.01.2010 - 08:36 Por Francisca Gorjão Henriques

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A insegurança leva as agências humanitárias a necessitarem de escolta para distribuirem a ajuda A insegurança leva as agências humanitárias a necessitarem de escolta para distribuirem a ajuda (Carlos Barria/Reuters)
Entre críticas e elogios, os Estados Unidos reforçaram ontem a sua presença no Haiti com mais dois mil marines e a visita do ex-Presidente Bill Clinton ao país.

Os militares americanos levaram consigo equipamento médico e material necessário para remoção de destroços. Mas a sua presença é também vista como necessária para acabar com o caos que se seguiu à tragédia de há uma semana. Ontem, a BBC online dava conta que as forças americanas e da ONU tiveram de usar bastões para afastar uma multidão que se juntou numa das entradas do aeroporto de Port au Prince, onde um incidente que está ainda por explicar matou um soldado americano.

Para o principal general dos EUA no terreno, Ken Keen, o sismo do Haiti foi um "desastre de proporções épicas". Keen considerou "razoável assumir" que 200 mil pessoas podem ter morrido no terramoto, mas que ainda "é demasiado cedo para saber" o número total de vítimas. O que se sabe é que 70 mil já foram enterradas.

Os 2200 marines desembarcaram ontem em Port au Prince para se juntarem aos cinco mil soldados americanos que já estavam no terreno. O objectivo é chegar aos dez mil, segundo o Comando militar do Sul. "Esta é sobretudo uma operação de assistência humanitária, mas a segurança é uma componente decisiva", explicou o general Keen numa entrevista à ABC. Sobretudo porque a polícia local, tal como o contingente da ONU, foi duramente atingida pelo sismo.

Também o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu ontem ao Conselho de Segurança o envio de mais 1500 polícias e dois mil soldados, para se juntarem aos nove mil que já formam a MINUSTAH.

"Um enxame de americanos"

O Haiti, fustigado por um sismo de magnitude 7, tem em mãos a hercúlea tarefa de acorrer a centenas de milhares de pessoas que estão sem abrigo, sem comida, sem medicamentos. Mais do que falta de resposta aos pedidos de auxílio - três dezenas de países enviaram produtos e peritos - é a logística que está a atrasar a distribuição. As infra-estruturas do país estão destruídas e a insegurança leva as agências humanitárias a necessitarem de escolta para fazerem a distribuição da ajuda.

Mas ontem, o general Michael Dana, encarregue das operações logísticas, afirmou à Reuters que o principal porto poderá abrir dentro de dois ou três dias, para levar carregamentos de auxílio aos sobreviventes.

As palavras que têm sido usadas pela Administração de Barack Obama são um indicador de como o Haiti saltou para a lista das prioridades do Presidente, que afirmou ter lançado "uma das maiores operações de auxílio da história recente". A sua secretária de Estado, Hillary Clinton, referiu-se ao sismo como uma tragédia "bíblica".

Muitos haitianos estarão, como o seu Governo, na disposição de verem mais americanos nas ruas. "Queremos um enxame de soldados americanos em todo o lado", disse à Time Joel Auguste, um barbeiro de 33 anos que está a viver num estádio convertido em campo de refugiados. "Não devem dar um dólar de ajuda ao meus políticos porque eles, simplesmente, irão roubá-lo. Deixem vir os brancos resolver o assunto." O professor de Inglês Franz Dejean, cuja casa foi reduzida a pó, vai mais longe: "O Haiti faz parte da América. Precisamos que Obama tome o controlo."

A Newsweek era peremptória: "A verdade é que a única entidade no planeta com capacidade para ajudar o Haiti à escala necessária é o Exército dos EUA. As Nações Unidas acharão politicamente incorrecto admiti-lo; os grandes grupos de auxílio internacional, orgulhosos do seu estatuto não combatente, tentarão não o reconhecer. Mas esta é a realidade."

A forte presença militar americana tem também gerado algumas críticas. Uma delas é, precisamente, o facto de ser o Pentágono a coordenar todas as acções no terreno - mesmo que os seus soldados levem mais kits de assistência médica do que armas.

"Onde estão eles?"

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Comentário + votado

ajuda humanitária sim tropas não.

Os abutres imperialistas americanos desta vez com o Obama não têm emenda. S´conhecem o que é a ...

J.figueira

19.01.2010 10:04

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