A detenção prisional hoje da líder da oposição birmanesa, Aung San Suu Kyi, está a gerar uma vaga de críticas veementes na comunidade internacional que vêem aqui um acto de ilegalidade por parte da Junta Militar que governa o país – com expressão especialmente audível nos Estados Unidos, Reino Unido, e também na Noruega, onde foi atribuído à “Dama de Rangoon” o Nobel da Paz em 1991.
“A verdadeira injustiça, a verdadeira ilegalidade é antes de mais que [Suu Kyi] continue sob detenção”, avaliou o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, aludindo aos 13 anos que a secretária-geral da Liga Nacional para a Democracia passou sob alguma forma de detenção nos últimos 19 anos.
Desde Maio de 2003 Suu Kyi encontrava-se em prisão domiciliária, uma ordem que deveria expirar teoricamente a 27 de Maio próximo. Hoje porém, os militares levaram-na de sua casa, em Rangoon para a prisão de Insein, acusando-a de violar os termos da prisão domiciliária, depois de no início do mês um norte-americano ter entrado e permanecido dois dias na sua residência.
“Estou profundamente perturbado pelo facto de Aung San Suu Kyi ter sido inculpada por ter violado as regras da sua detenção”, afirmou Brown, acusando o regime birmanês de ter “a intenção de usar não importa que pretexto para estender a sua detenção ilegal”.
Do Departamento de Estado norte-americano veio expressão de igual inquietação. “Recebemos essas informações [sobre a prisão de Suu Kyi], que são extremamente preocupantes se forem verdadeiras”, afirmou porta-voz da diplomacia dos Estados Unidos, Ian Kelly, avançando que a secretária de Estado, Hillary Clinton, já “pediu informações mais vastas” sobre o caso.
O Governo da Noruega, país onde Suu Kyi recebeu o prémio Nobel da Paz em 1991 – um ano depois de ter vencido as legislativas na Birmânia, sem que a junta jamais lhe ter permitido exercer o poder – exigiu mesmo a sua pronta libertação, assim como de todos os prisioneiros políticos no país.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse estar “seriamente preocupado” com a detenção de Suu Kyi, enquanto o relator da ONU para os direitos do Homem na Birmânia, Tomas Ojea Quintana, considerou a detenção “ilegal” e exigiu a libertação imediata e sem condições da líder da oposição.
Notícia actualizada às 18.05



