Clinton defende que medida é legal ao abrigo da resolução 1973

EUA e Reino Unido abrem cenário de armar rebeldes contra Khadafi

30.03.2011 - 09:34 Por Dulce Furtado

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Para Hillary Clinton, fornecer armamento aos rebeldes constitui uma iniciativa legal ao abrigo da resolução 1973 do Conselho de Segurança Para Hillary Clinton, fornecer armamento aos rebeldes constitui uma iniciativa legal ao abrigo da resolução 1973 do Conselho de Segurança (Finbarr O'Reilly/Reuters)
Os Estados Unidos e Reino Unido aumentaram a pressão sobre Muammar Khadafi, avisando que admitem armar os combatentes rebeldes caso o contestado líder líbio se mantenha arreigado ao poder e ignore os crescentes apelos a que se demita para pôr fim ao conflito de já mês e meio na Líbia.

Questionado ontem, já depois da reunião do chamado “grupo de contacto” para a Líbia, que se realizara em Londres, o Presidente norte-americano, Barack Obama, deixou tudo em aberto: “Não afasto essa possibilidade embora também não esteja a dá-la já como certa”, respondeu num programa do canal ABC News.

Obama confirmou porém que os Estados Unidos vão fornecer assistência à rebelião contra Khadafi sob a forma de ajuda humanitária, fornecimentos médicos e equipamento de comunicações. E sublinhou que a campanha dos aliados na Líbia – agora sob comando total da NATO – não significa que o mesmo se possa reproduzir na Síria, igualmente a braços com uma contestação em crescendo contra o regime do Presidente, Bashar al-Assad, nem outros países do mundo árabe onde manifestações e protestos contra os respectivos governos têm sido violentamente reprimidos pelas autoridades.

A Líbia, explicou Obama, perfila-se com a “circunstância única” em que muitos países se coligaram num mesmo esforço, e mandatados pelas Nações Unidas, para “salvar muitas vidas”.

Antes, no final do encontro de Londres, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, defendeu que fornecer armamento aos rebeldes constitui uma iniciativa legal ao abrigo da resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas – a qual, aprovada a 17 de Março, deu aos aliados o recurso legítimo “a todas as medidas necessárias para proteger a vida de civis” na Líbia, incluindo os raides aéreos da coligação internacional sobre as posições militares de Khadafi que estão em curso já há semana e meia.

“A nossa interpretação é que a [resolução] 1973 emendou e sobrepôs-se à proibição absoluta de armar seja quem for na Líbia”, explicou a chefe da diplomacia dos Estados Unidos, aludindo aqui à resolução anterior das Nações Unidas sobre o conflito na Líbia (1970) que aprovou o embargo de armas. O homólogo britânico, William Hague, concordou que a decisão do Conselho de Segurança tornou legal “dar ajuda às pessoas de forma a que sejam capazes de se defenderem a si mesmas em circunstâncias muito especiais”.

Mas o Reino Unido não está a planear fornecer assistência militar aos rebeldes “de espécie nenhuma para já”, sublinhou, insistindo que a prioridade é “tentar proteger aquelas áreas civis [sob ataque das tropas leais a Khadafi] com as medidas que temos vindo a levar a cabo nestes últimos dez dias”.

Por seu lado, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Alain Juppé – cujo país liderou com o Reino Unido os esforços diplomáticos para a adopção da resolução do Conselho de Segurança e desferiu o primeiro ataque aéreo contra Khadafi (na tarde de 19 de Março) – afirmou na reunião do grupo de contacto que Paris e os seus parceiros estão “preparados” para começar a discutir a hipótese de fornecer armamento aos rebeldes.

“Mas não sem o apoio claro de uma resolução do Conselho de Segurança”, ressalvou. “Recordo que essa linha de acção não é o que está previsto da resolução 1973”, defendeu – em opinião divergente da expressa por Hillary Clinton.

Moscovo – que se absteve na votação desta resolução no Conselho de Segurança – avaliou prontamente que “nenhum país tem o direito de armar” os rebeldes com base na decisão das Nações Unidas. “[A França] disse estar pronta a discuti-lo (...) mas logo depois o secretário-geral da NATO, Anders, Fogh Rasmussen, afirmou que a operação na Líbia foi preparada para proteger a população e não com o objectivo de a armar – e é com esta última posição que estamos totalmente de acordo”, frisou o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov.

A Rússia, mesmo não tendo usado o seu direito de veto no seio do Conselho de Segurança, tem deixado publicamente bem clara a sua oposição aos raides aéreos dos aliados feitos ao longo da última semana e meia, classificando o apoio militar dado pela coligação aos rebeldes como uma “ingerência” nos assuntos internos da Líbia.

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Outro Iraque.---em nome do petrólio

Outro Iraque.---em nome do petrólio -------ao admitirem armar os rebeldes, meus senhores, os " ...

Raquel Vila

30.03.2011 09:58

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