A Administração norte-americana anunciou hoje ter desistido de convencer Israel a parar a colonização na Cisjordânia – a condição imposta pela Autoridade Palestiniana para retomar as negociações directas.
A confirmação, que ocorre após dois meses de impasse nas conversações, foi feita por um dirigente da Casa Branca. “Após várias consultas chegámos à conclusão de que um prolongamento da moratória [à colonização] não constitui a melhor base para o reinício das negociações directas”, disse o responsável, que falou aos jornalistas sob condição de anonimato.
A anterior moratória, decretada sob pressão dos EUA, terminou a 26 de Setembro, já depois do reinício das negociações entre o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o líder da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas. Israel deixou claro que não iria renovar a medida, muito contestada pela direita e grupos de colonizadores, ao que Abbas respondeu anunciando a suspensão das conversações.
O dirigente norte-americano explicou que os esforços de Washington se concentrarão agora nos “problemas centrais” do conflito, nomeadamente a definição de fronteiras ou a situação de segurança. “Tentaremos encontrar outras formas de renovar as negociações de paz”, explicou o responsável, adiantando que na próxima semana negociadores palestinianos e israelitas são esperados em Washington para “consultas”.
Apesar do novo fracasso em retomar as discussões – a principal prioridade da política externa do Presidente Barack Obama –, diplomatas americanos negam que o processo de paz esteja à beira do colapso e admitem que ganha força a intenção de regressar ao formato das discussões indirectas.
Não é ainda conhecida uma resposta da Autoridade Palestiniana ao recuo americano, mas, na semana passada, Abbas sugeriu que dissolveria o Governo se não houvesse um acordo em breve, criando um vazio que poderá ser insustentável na região. Em simultâneo, os Governos do Brasil e da Argentina, duas das principais economias da América Latina, anunciaram o reconhecimento da Palestina enquanto “Estado livre e independente dentro das fronteiras de 1967” – reforçando os indícios de que os palestinianos poderão avançar para a autoproclamação da independência já em 2011, no caso de um novo impasse nas negociações.



