EUA: Democratas avançam com votação da proposta de reforma da saúde 
07.11.2009 - 19:06 Por Rita Siza, Washington
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos iniciou hoje o debate final da sua proposta de reforma do sistema de saúde norte-americano, no valor total de 891 mil milhões de dólares em dez anos e com um efeito neutro no défice público. Deverá avançar com a votação definitiva antes do fim do dia.
A proposta de lei, de 1990 páginas, prevê o alargamento da cobertura médica à quase totalidade da população norte-americana. Actualmente existem mais de 47 milhões de pessoas que não dispõem de cuidados: a lei tornará a compra de seguros de saúde obrigatória, criando apoios para as empresas e indivíduos que não consigam suportar esse custo.
A lei estabelece ainda os termos para um mercado aberto de prestadores de serviços, com a constituição de um novo plano suportado pela Administração para concorrer em igualdade com os privados — a polémica “opção pública” que merece a oposição dos conservadores. Estima-se que essa seria uma alternativa para cerca de cinco por cento da população.
O Presidente Barack Obama visitou o Capitólio num esforço extra para vencer as resistências dos legisladores indecisos. O Presidente fez da reforma da saúde a sua principal prioridade em termos de politica doméstica, e está determinado em assinar uma nova lei antes do final do ano.
A speaker do Congresso Nancy Pelosi passou a manhã a negociar com o grupo dos Democratas fiscalmente conservadores (conhecidos como “Blue Dogs”), depois de uma maratona na sexta-feira à noite para dirimir a controvérsia relativa ao eventual financiamento de abortos — essa possibilidade foi liminarmente eliminada.
Os Democratas precisam de 218 votos para fazer passar a proposta de lei. Com 258 congressistas, o partido detém uma confortável maioria; mas muitos “Blue Dogs” estavam reticentes e mais de 25 já confirmaram votar contra. Questionada ao início da manhã sobre se era capaz de garantir os votos necessários, Pelosi respondeu “veremos quando chegarmos ao plenário”.
Pelo seu lado, a bancada Republicana vai votar em bloco contra a reforma, embora alguns dos seus representantes tenham já admitido que poderão mudar o seu sentido de voto mais tarde, depois da legislação passar o processo de reconciliação com a proposta do Senado. “A situação actual é insustentável. As pessoas querem que o Congresso avance com uma reforma”, reconheceu o congressista republicano do Delaware, Mike Castle.

