Os Estados Unidos vão triplicar a ajuda dada ao Paquistão. Nos próximos cinco anos, Islamabad irá receber anualmente 1,5 mil milhões de dólares (mais de mil milhões de euros). O dinheiro destina-se a desenvolver as infra-estruturas paquistanesas, esperando com isso tornar mais eficaz o combate ao extremismo islâmico.
No último mês, o Exército paquistanês fez avanços consideráveis nas suas operações contra os islamistas. Isso não terá sido alheio à decisão tomada na quinta-feira pela Câmara dos Representantes norte-americana, ao fazer aprovar o novo pacote de ajuda ao Paquistão com 238 votos a favor e 183 contra.
“Esta lei ajudará a criar as fundações de um Paquistão mais forte e mais estável”, comentou à AFP Howard Berman, que preside à comissão dos Negócios Estrangeiros da Câmara.
Washington considera que a estabilidade do país é fundamental para a normalização do vizinho Afeganistão. A chegada do reforço militar americano ao território tem sido acompanhado por um aumento de ataques dos rebeldes ligados à Al-Qaeda ou aos taliban. A Reuters adianta que, segundo alguns responsáveis, a insegurança no território afegão atingiu os níveis mais altos desde 2001, quando os EUA lideraram uma ofensiva para derrubar o regime taliban.
O director da CIA, Leon Panetta, acredita que o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, se encontra escondido em território paquistanês; espera que as operações conjuntas entre EUA e o Paquistão consigam a sua detenção.
O Exército de Islamabad continua a intensificar os seus combates. Nesta semana, e até quinta-feira, mais de 130 militantes foram mortos em confrontos perto de Bannu, na Província da Fronteira do Noroeste, adjacente ao Waziristão Norte, um bastião taliban junto à fronteira com o Afeganistão.
Segundo a Reuters, houve ainda ataques por helicóptero nas localidades fronteiriças Bajaur e Mohmand; e ainda nas regiões tribais pashtun Waziristão Sul e Orakzai.
“A operação em Swat entrou na sua fase final e as tropas estão envolvidas em acções noutros locais para impedir que os militantes regressem a Swat e para desfazer a sua rede”, explicou Mahmood Shah, antigo chefe de segurança nas áreas tribais.
O empenho do Exército paquistanês na erradicação dos grupos extremistas é um pré-requisito para que a ajuda vinda de Washington seja entregue – o Governo de Islamabad foi longamente criticado por não fazer o suficiente para deter os islamistas. Os dólares americanos destinam-se a escolas, sistema judicial, Parlamento e agências que garantam a aplicação da lei. “As actuais condições no Paquistão sublinham a importância de agir com urgência nesta legislatura”, comentou o representante democrata Chris Van Hollen, citado pela Reuters. “Esta é a altura de enviar o sinal e iniciar uma política de desenvolvimento económico nestas regiões difíceis”.
Segundo a edição de hoje do "New York Times", o sucesso das operações militares no Paquistão são uma das causas por que dezenas de membros da Al-Qaeda e de outros grupos extremistas estão agora a deslocar-se para a Somália e para o Iémen – outra das explicações é o aumento das campanhas jihadistas nos dois países, “que podem agora ter a mesma atracção que tinha o Iraque depois da invasão americana”.


