ETA reafirma disponibilidade para dialogar com Governo espanhol

17.06.2005 - 18:57 Por Reuters, PUBLICO.PT
A ETA publicou hoje um comunicado no jornal diário “Gara” em que reafirma a sua disponibilidade para negociar com o Governo o fim do conflito no País Basco, mas Madrid já garantiu que só poderá haver diálogo depois de a organização terrorista renunciar à luta armada.
Ao mesmo tempo que reivindica nove atentados recentes, a ETA garante a sua disponibilidade para se envolver “num processo democrático sem limites, que envolva todos”, considerando que a resolução do conflito basco “é possível aqui e agora”.
O conteúdo deste comunicado é semelhante a outro, emitido em Abril passado. Hoje, tal como então, o Governo espanhol reagiu ao apelo afirmando que só aceita discutir com a ETA caso a organização renuncie à luta armada.
“O único comunicado de que o Governo quer falar é aquele em que a ETA anunciar o fim da violência”, afirmou a vice-primeira-ministra Maria Teresa Fernandez de la Vega.
No mês passado, o Parlamento aprovou (com a oposição do Partido Popular) uma moção autorizando o Executivo a dialogar com a ETA, com a condição de que a organização terrorista declare uma trégua. Contudo, o diploma limita o diálogo à negociação do fim da luta política (o que poderá passar pela questão dos presos da ETA), sustentando que as discussões sobre o estatuto de autonomia do País Basco serão conduzidos com as instituições eleitas da região.
Na carta aberta, a organização aproveita para condenar a actual "política repressiva" de Madrid em relação à ETA, afirmando que o PSOE “deu passos que lembram os tempos mais obscuros de [Filipe] González”.
As críticas prendem-se com a detenção, no mês passado, de Arnaldo Otegui, porta-voz do Batasuna, partido que foi ilegalizado em 2003 sob a acusação de ser o braço armado da ETA. Otegui, que se encontra em liberdade mediante o pagamento de caução, é acusado de ter montado um esquema de financiamento da organização terrorista e de pertencer à sua direcção.
Nas semanas que se seguiram a ETA levou a cabo vários atentados (o último dos quais contra o aeroporto de Saragoça, a 10 de Junho), sem provocar vítimas mortais.


