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Coreia do Norte

Estados Unidos insistem que libertação de jornalistas foi humanitária

06.08.2009 - 09:13 Por Rita Siza, Washington

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Bill Clinton foi aceite para as negociações depois de Pyongyang recusar Al Gore Bill Clinton foi aceite para as negociações depois de Pyongyang recusar Al Gore (Danny Moloshok/Reuters )
As jornalistas Laura Ling e Euna Lee, perdoadas pelo Presidente da Coreia do Norte de uma pena de 12 anos de trabalhos forçados, regressaram ontem aos Estados Unidos, na companhia do antigo Presidente Bill Clinton, o enviado especial norte-americano que garantiu a libertação das duas ao fim de 140 dias de prisão.

"Quando vimos o [antigo] Presidente Bill Clinton, soubemos que o pesadelo das nossas vidas tinha chegado ao fim", confessou Laura Ling numa conferência de imprensa improvisada no aeroporto de Burbank, Califórnia, imediatamente após a aterragem.

As duas jornalistas da Current TV foram detidas pelas autoridades norte-coreanas no dia 17 de Março, acusadas de passarem a fronteira a partir da China e entrarem ilegalmente no país. Estavam a trabalhar numa reportagem sobre tráfico de mulheres da Coreia do Norte para a China.

A viagem de Clinton a Pyongyang, insiste a Administração Obama, foi uma empresa pessoal e inserida no trabalho humanitário do antigo Presidente - os Estados Unidos não têm relações diplomáticas com a Coreia do Norte e recusam reabrir esse canal enquanto Kim Jong-il não se sentar à mesa das negociações a seis sobre o armamento nuclear (EUA e Coreia do Norte mais China, Rússia, Coreia do Sul e Japão).

Mas a Administração esteve profundamente envolvida na missão de Bill Clinton, e o voo do antigo Presidente só aconteceu depois de intensa negociação nos bastidores, depois de a Coreia do Norte ter avançado a possibilidade de uma amnistia para as duas mulheres. Pyongyang queria um sinal de abertura: para o recluso Presidente Kim Jong-il, a visita de um alto dignitário norte-americano à Coreia do Norte confere legitimidade internacional ao seu isolado regime.

Kim recusou Al Gore

Os interlocutores americanos ofereceram várias hipóteses para as conversações. O antigo vice-presidente Al Gore, fundador da Current TV, disponibilizou-se para viajar e encontrar-se com Kim Jong-il, assim que as duas jornalistas foram detidas, mas o líder norte-coreano recusou. Outros nomes apontados pelos americanos foram o presidente do Comité de Relações Exteriores do Senado, John Kerry, o conselheiro de Segurança Nacional Jim Jones ou o governador do Novo México, Bill Richardson, que chefiou a missão americana na ONU.

Mas Kim Jong-il exigiu Bill Clinton: o antigo Presidente foi o último líder norte-americano a encarar a hipótese de uma visita oficial à Coreia do Norte, que nunca chegou a acontecer.

Ontem, na Casa Branca, o Presidente Barack Obama manifestou a sua "grande satisfação" com a libertação das duas jornalistas, e agradeceu os esforços de Bill Clinton e Al Gore na condução da missão humanitária. "Como é óbvio, estamos todos extraordinariamente aliviados. O reencontro [das jornalistas com os seus familiares] a que assistimos na televisão foi uma fonte de alegria para todo o país", disse Obama.

Os Estados Unidos mantêm o regime de Kim Jong-il sob intensa pressão, tendo defendido novas sanções e maior isolamento internacional da Coreia do Norte em retaliação por um teste nuclear e o lançamento de uma série de mísseis que Washington classificou como "comportamentos provocatórios".

Todos os intervenientes na missão de libertação das jornalistas repetiram que a questão nuclear não foi usada como moeda de troca. "Os nossos esforços para reactivar as negociações a seis e trabalhar para a desnuclearização da península coreana inserem-se noutro plano. O futuro do nosso relacionamento com a Coreia do Norte depende da escolha que eles fizerem", referiu a secretária de Estado Hillary Clinton, que se encontra de visita no Quénia (ver texto pág. 12).

Os analistas duvidavam, contudo, que a intervenção de Bill Clinton se tenha restringido ao acordo para o perdão especial de Laura Ling e Euna Lee. "Seria chocante e surpreendente que o antigo Presidente, que é profundamente conhecedor da questão nuclear, não tivesse tido uma discussão substantiva sobre o assunto com Kim Jong-il", comentou o antigo negociador Robert Galluci.

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"Sentimos que o nosso pesadelo estava a chegar ao fim"

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c

Deve haver uma genuína vontade por várias partes para recolocar o Clinton no centro da diplomacia ...

Anónimo

06.08.2009 19:13

X

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