Estados Unidos dizem que Khadafi está “delirante”

01.03.2011 - 09:09 Por Maria João Guimarães, Agências
Os EUA declaram que o líder líbio, Mumammar Khadafi, perdeu a noção da realidade e que está "delirante". Da Rússia, o Kremlin afirmou que Khadafi é um "homem politicamente morto" que "não tem lugar no mundo moderno civilizado".
As afirmações de Washington e Moscovo surgem após uma entrevista que o coronel deu aos meios de comunicação social ocidentais dizendo que o povo o “adora” e negando que houvesse protestos em Trípoli.
Os EUA estão entretanto a mover forças militares – navais e aéreas – para mais perto da Líbia, e anunciaram já o congelamento de 30 mil milhões de dólares (cerca de 21,7 mil milhões de euros) em bens líbios: a maior quantia que já alguma vez as autoridades americanas congelaram.
“O povo adora-me” disse Khadafi numa entrevista a três jornalistas de meios de comunicação ocidentais, descreve a jornalista da estação norte-americana ABC Christiane Amanpour. Khadafi quis apresentar a sua versão dos acontecimentos e falou ainda ao editor de Médio Oriente da BBC, Jeremy Bowen, e ao jornal britânico Sunday Times. O povo líbio “morreria para me proteger” garantiu o coronel, dizendo ainda que não há protestos em Trípoli. O país está sim a enfrentar uma ameaça da Al-Qaeda, defendeu.
Estas declarações mostram que Khadafi está “delirante”, disse a embaixadora norte-americana na ONU, Susan Rice. O facto de Khadafi fazer estas declarações, sentado num restaurante nos arredores de Trípoli, “enquanto massacra o seu próprio povo”, mostra que está desligado da realidade. E que não está capaz de liderar o país.
Enquanto isso, no terreno, as forças leais a Khadafi lutavam para controlar cidades “libertadas” pelas forças anti-regime, tanto perto como longe da capital. Em Zauia, a 50 quilómetros de Trípoli, as forças anti-Khadafi conseguiram repelir um primeiro ataque com tropas e mercenários, numa batalha que terá durado seis horas, mas esperavam mais acções. Khadafi tinha telefonado ao líder tribal da cidade, Mohammed al-Maktouf, avisando-o de que se os revoltosos não deixassem a praça da cidade, seriam bombardeados com caças.
Enquanto as cidades “libertadas” esperavam em tensão ataques das forças do regime, a oposição estava a treinar milhares de homens armados para marcharem para Trípoli, diz o diário espanhol “El País”.
Notícia actualizada às 13h27


