Estados Unidos acusados de manterem prisioneiros em navios em alto mar 
02.06.2008 - 16:02 Por PÚBLICO
Os Estados Unidos têm prisioneiros em “prisões flutuantes”, navios em alto mar onde mantém os acusados de terrorismo sem que se saiba quantos estão nestas condições nem onde. A acusação é feita mais uma vez por advogados especialistas em direitos humanos num relatório da associação britânica Reprieve, que deverá ser publicado ainda este ano.
A notícia avançada pelo diário britânico “Guardian” na sua edição on-line, diz que a Reprieve pediu ao Governo norte-americano para publicar a lista da localização e número destes navios, bem como a identificação de todos os prisioneiros.
A informação sobre estes navios foi recolhida à medida que alguma informação sobre este tipo de prática ia surgindo em relatórios das próprias Forças Armadas norte-americanas, do Conselho da Europa e de testemunhos de prisioneiros.
De acordo com a investigação conduzida pela Reprieve, os EUA detém 17 destes navios-prisão desde 2001, Aí, os prisioneiros são interrogados e depois encaminhados para outros locais, muitas vezes desconhecidos.
Entre as embarcações que a Reprieve suspeita que já tenham servido para estes fins estão a USS Bataan, e o USS Peleliu. Mas a organização suspeita de mais 15 navios e afirma que alguns deles podem ter operado em território britânico, em Diego Garcia, um atol em pleno Oceano Índico, a mais de 1500 quilómetros da Índia, território usado para fins militares por forças britânicas e norte-americanas.
A Reprieve fala ainda do USS Ashland, que passou uma temporada na Somália, em 2007, numa operação de segurança, durante o tempo em que era dada prioridade à captura de membros da al-Qaeda.
Nessa mesma altura, em que os interrogatórios a suspeitos de terrorismo de sucediam, às mãos de agentes que se acredita que trabalhavam para a CIA e FBI, desapareceram mais de 100 pessoas de prisões situadas no Quénia, Somália, Etiópia, Djibouti e de Guantánamo.
A Reprieve baseia-se também em testemunhos de um homem detido em Guantánamo que terá referido a descrição feita por um outro companheiro de cela, que referia que tinha estado cativo num navio, com mais 50 homens antes de ir para a base militar em Cuba e onde eram espancados.
“Escolhem navios para estarem o mais longe possível dos olhos dos advogados e dos media. O nosso objectivo é garantir os direitos legais a estes prisioneiros fantasma”, disse ao “Guardian” Clive Stafford Smith, director judicial da Reprieve.
Os EUA reconhecem ter 26 mil pessoas detidas ainda sem julgamento em prisões secretas. Mas a informação recolhida diz que o número de detidos pode atingir os 80 mil, de 2001 até hoje. A Reprieve reivindica informação sobre esses prisioneiros: quem são, onde estão e o que lhes é feito.
Jeffrey Gordon, comandante da marinha norte-americana, negou, em declarações ao “Guardian”, a existência destes navios, embora reconheça que alguns prisioneiros podem ter sido detidos em navios dias antes de terem sido presos. Mas negou a localização de navios prisão em Diego Garcia.
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