A esquerda independentista basca lamentou este domingo publicamente, pela primeira vez, a “dor” causada pela ETA e manifestou “profundo pesar” pelas vítimas da organização separatista, que em Outubro do ano passado anunciou a renúncia à luta armada.
Num documento intitulado “Construamos a paz no processo democrático”, apresentado numa conferência em San Sebástian, “a esquerda 'abertzale' reconhece que pelas suas declarações ou actos, pode ter dado uma imagem de insensibilidade quanto à dor causada pelas acções da ETA”.
Segundo o diário espanhol "El País", o documento da organização que sucedeu ao Batasuna, antigo braço político da ETA, pede o desarmamento mas não a dissolução. Sem usar o termo, defende uma amnistia. “É necessário o regresso a casa de todos e de todas as presas e exiladas”. Em Espanha e França estão presos cerca de 700 membros da organização.
Considerada pelos Estados Unidos e pela União Europeia como organização terrorista, a ETA é responsável pela morte de mais de 800 pessoas em 40 anos de acção armada. Sem fazer paralelismos entre vítimas, a esquerda "abertzale" cita como “facto histórico que ninguém pode negar” as mortes provocadas por “forças parapoliciais, terrorismo de Estado, repressão, políticas de atirar a matar, torturas e tratamentos desumanos”.
Nas últimas eleições legislativas, a Amaiour, nova coligação independentista basca, elegeu sete deputados para o Parlamento espanhol.
Na conferência de San Sebástian estiveram dirigientes como Rufi Etxebarria e Maribi Ugarteburu e marcaram presença convidados, caso de Alex Maskey, em nome do partido irlandês Sinn Fein, e dois membros do partido governamental na África do Sul, o Congresso Nacional Africano (ANC): Robert McBride e Kopeng Obed Bapela.



