Dois euros para alimentar a esperança de sair do impasse. Através desta modesta contribuição e de uma declaração comprovando que partilham as ideias do partido, todos os militantes e simpatizantes do Partido Democrático Italiano são chamados, amanhã, a escolher, em eleições primárias, o líder da oposição a Sílvio Berlusconi.
Apesar dos escândalos, Il Cavaliere continua a liderar as sondagens, mas a esquerda vai regressar ao combate depois da derrota nas legislativas de 2008 e da demissão do seu líder, Walter Veltroni, após outros reveses intelectuais. A formação nascida da fusão dos ex-comunistas com os ex-democratas cristãos de esquerda tenta reencontrar um novoélan e uma nova credibilidade, através desta consulta popular.
Vários milhões de votantes são esperados nestas primárias que vão ser disputadas por três candidatos e que vão ser pela primeira vez uma verdadeira competição, o que não deixa de representar alguns riscos. As duas primárias anteriores (que consagraram Romano Prodi, em 2005, e Walter Veltroni, em 2007) foram meras investiduras. Nenhum dos dois enfrentou adversários à sua altura. Foram eleitos respectivamente com 74 e 76 por cento dos votos, em ambos os casos com mais de 3,5 milhões e meio de participantes.
Desta vez, a batalha entre o secretário-geral cessante, Dario Franceschini, o antigo ministro da Economia de Romano Prodi, Pierluigi Bersani e o cirurgião que se tornou senador, Ignazio Marino, vai ser muito mais disputada.
"Pela primeira vez vão ser primárias nítidas e abertas", sublinha o analista político e antigo director do "Corriere della Sera", Stefano Folli. "É um facto inovador e transparente." Nas últimas semanas, os dois rivais participaram numa campanha eleitoral a sério, com comícios, debates a três,soundbites e golpes baixos, sem contar com os cartazes afixados por toda a península. "Dado o estado das nossas finanças, não precisamos de mostrar as nossas caras nas paredes e nas paragens de autocarro", disse Dario Franceschini, num ataque à campanha de Pierluigi Bersani, cujos colaboradores responderam: "Quem paga os materiais eleitorais de Dario Franceschini?".
Na Sardenha e na Campânia, nomeadamente, o debate foi poluído por suspeitas de gastos excessivos e da existência de eleitores-fantasma. No PD de Nápoles, que atravessa uma tempestade judicial e está eleitoralmente enfraquecido, o número de novos militantes explodiu de forma estranha antes da Convenção que designou, a 11 de Outubro, os três candidatos autorizados a disputar as primárias, atingindo os 70 mil militantes, contra apenas oito mil de Milão.
Um partido forte
Vencedor do escrutínio de pré-selecção, reservado aos militantes, com 56 por cento dos votos, Pierluigi Bersani, de 58 anos, parte favorito para estas primárias. Antigo comunista que se tornou um ferrenho defensor da liberalização e da concorrência, este especialista do sector da indústria, uma figura austera que esconde um forte sentido de humor, é o rosto da vontade de voltar a um partido forte e tradicionalmente capaz de dialogar com as outras forças políticas, em particular com a esquerda radical. "Seria um regresso ao passado", dizem os seus detractores.
O antigo democrata-cristão Dario Franceschini pretende, pelo seu lado, representar a novidade e a dinâmica. Franceschini quer construir uma formação política ligeira e aberta, reunida em torno de um líder, seguindo o modelo do Partido Democrata americano.
Enquanto Ignazio Marini, que fez uma campanha assente sobretudo na defesa da laicidade, e que deverá estar fora da corrida depois de ter obtido apenas oito por cento do voto dos militantes na convenção, Dario Franceschini, de 51 anos, obteve 36 por cento. Espera ainda poder inverter a tendência. Tanto mais que apenas 54 por cento dos militantes do PD votaram na convenção de 11 de Outubro. Dario Franceschini conta com a mobilização dos abstencionistas do partido e dos simpatizantes para ganhar. "Estas primárias são um acontecimento formidável. Pela primeira vez, o resultado não está decidido à partida", adiantou. Na véspera da eleição, apostou na surpresa, anunciando a intenção de nomear como vice-secretário o deputado de origem congolesa Jean-Léonard Touadi.



