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Doses maciças de polónio

Espião russo terá sido envenenado com substância altamente radioactiva

24.11.2006 - 16:11 Por PUBLICO.PT, Agências

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Numa carta divulgada após a sua morte, Litvinenko culpou o Presidente russo pela sua morte Numa carta divulgada após a sua morte, Litvinenko culpou o Presidente russo pela sua morte (EPA)
As autoridades de saúde britânicas afirmam que o antigo espião russo Alexander Litvinenko, que faleceu ontem à noite num hospital londrino, foi envenenado com uma substância altamente radioactiva.

"Os testes determinaram que Litvinenko tinha no seu corpo uma quantidade significativa do isótopo radioactivo polónio-210", lê-se num comunicado da Agência de Protecção da Saúde britânica, acrescentando que "não é claro como é que esta substância entrou no corpo" do antigo agente do KGB.

Numa conferência de imprensa realizada pouco depois, o professor Roger Cox, perito em radiações da agência, revelou que o polónio foi detectado na urina de Litvinenko.

Para a chefe da agência, Pat Troop, o nível de contaminação detectado só é possível se a substância tiver sido "ingerida, inalada ou se tiver entrado no corpo através de uma ferida". "Sabemos que ele esteve sujeito a uma dose maciça", afirmou a responsável.

Os peritos afirmam que este é "um caso sem precedentes no Reino Unido", mas garantem que o risco a que esteve sujeita a equipa médica que tratou o cidadão russo, de 43 anos, "é muito pequeno".

O polónio foi descoberto em 1898 pelos físicos Pierre e Marie Currie, que o baptizaram em homenagem ao seu país de origem, a Polónia, tendo sido um dos primeiros elementos a ser descoberto graças à sua radioactividade. Raríssimo na natureza e muito instável, o polónio é altamente radioactivo, o que torna difícil o estudo dos seus compostos e a sua aplicação.

A substância deve a sua radioactividade quase em exclusivo ao isótopo 210 que, quando ingerido ou inalado, ainda que em quantidades ínfimas, pode acumular-se nos rins, baço e fígado, causando danos irreversíveis devido à emissão de partículas alfa.

Litvinenko, exilado há vários anos no Reino Unido, faleceu ontem à noite no London University College Hospital, onde se encontrava internado há três semanas depois de ter sido alegadamente envenenado. O espião dizia ter sido envenenado durante um jantar com empresários russos, no passado dia 1 de Novembro, num hotel da capital britânica.

Numa carta escrita 48 horas antes de falecer, mas só divulgada esta manhã, o antigo espião responsabiliza o Presidente russo, Vladimiri Putin, pela sua morte, acusando-o de "não ter respeito pela vida, pela liberdade e pelos valores da civilização". O chefe de Estado russo já reagiu, considerando que a morte de Litvinenko está a ser aproveitada politicamente.

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Só os mais desatentos não entenderão que na realid...

Só os mais desatentos não entenderão que na realidade esta morte foi encomendada por Putin. Foi a ...

Anónimo

24.11.2006 20:26

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