Espanhóis querem regresso do pacto anti-terrorista após atentado em Madrid

07.01.2007 - 11:56 Por PUBLICO.PT
Os resultados de uma sondagem divulgada hoje pelo diário espanhol "El Mundo" mostra que cerca de 80 por cento dos espanhóis defendem que o Partido Socialista espanhol (PSOE) e o Partido Popular (PP) regressem ao pacto anti-terrorista, apesar do atentado bombista dos separatistas bascos da ETA no Aeroporto de Barajas, em Madrid, que fizeram dois mortos.
A sondagem, da empresa Sigma Dos, indica que 85,8 por cento dos espanhóis que votam no PP e 79,5 por cento dos votantes do PSOE defendem que o pacto anti-terrorista volte a vigorar, sendo a maioria dos inquiridos (de direita e esquerda) favorável ao consenso sobre esta questão.
Ainda assim, 40 por cento dos espanhóis acredita que o primeiro-ministro espanhol fortaleceu a ETA com a sua política de negociação. O estudo de opinião aponta ainda que 47,9 por cento dos cidadãos espanhóis defendem que José Luís Zapatero abandone uma "solução dialogada" para o terrorismo.
A ETA anunciou, a 24 de Março de 2006, um cessar-fogo permanente. A 29 de Junho, Zapatero anunciou o início das conversações com a organização separatista.
Em 40 anos de luta contra o Estado espanhol, a ETA causou a morte a mais de 800 pessoas. O último atentado mortal remontava a Maio de 2003, até dia 30 de Dezembro último, em que provocou a morte de dois imigrantes equatorianos no parque de estacionamento do terminal 4 do aeroporto.
A 2 de Janeiro, o ministro do Interior espanhol, Alfredo Perez Rubalcaba, confirmou que o diálogo com a ETA está "acabado"
e a Associação das Vítimas do Terrorismo (AVT), próxima da oposição conservadora, exigia também a ruptura do diálogo com a organização separatista.
O braço político da organização terrorista ETA, o partido Batasuna, considera que o processo de paz "não está quebrado", apesar do atentado, por ver como "continua mais indispensável do que nunca", admitindo que o ataque de 30 de Dezembro não ajudou o processo de paz mas criticando a alegada inércia do governo de Madrid.
A sondagem citada hoje pelo "El Mundo" mostra que 70,5 por cento dos espanhóis não concordam que o Batasuna se sente à mesma mesa do que os partidos espanhóis com assento parlamentar para discutir o futuro do País Basco, mas apenas 29,5 por cento dos inquiridos trocaria independência dos bascos pela paz.
Sobre a actuação do governo, a maioria dos espanhóis discorda de uma moção de censura a José Luis Zapatero, da convocação de eleições antecipadas e de manifestações convocadas para pressionar o governo.

