Os governos de Espanha e da Alemanha, o país de origem do Papa Bento XVI, juntaram-se hoje à França e à Bélgica e condenaram as declarações de Bento XVI sobre o uso dos preservativos no combate à Sida.
A Espanha anunciou hoje o envio de um milhão de preservativos para África com o objectivo de “lutar contra a propagação do VIH-SIDA”, anunciou o Ministério da Saúde espanhol, num gesto de resposta às declarações polémicas do Papa Bento XVI sobre o uso do preservativo.
Em comunicado, o ministério sublinha que “os preservativos são um elemento necessário na política de prevenção e uma barreira eficaz contra o vírus, atestam os estudos dos laboratórios”.
Também a Alemanha, o país de origem de Bento XVI, criticou as declarações do Papa sobre o preservativo. Em comunicado conjunto, os ministérios da Saúde e da Ajuda ao Desenvolvimento lembraram que “o uso do preservativo faz parte dos meios contraceptivos aos quais os países pobres devem ter acesso. Qualquer outra posição seria irresponsável”.
Bento XVI declarou, no início da sua primeira visita ao continente africano, que “não se resolve o problema da SIDA com a distribuição de preservativos” e que, “pelo contrário, (a sua) utilização agrava o problema”.
“67% das pessoas infectadas com SIDA vivem na África subsariana”, relemvra o ministério da Saúde espanhol.
O Governo de Madrid acrescentou que, durante a próxima semana, será organizado um concurso público para determinar quais as ONG (Organizações Não Governamentais) para onde serão canalizadas a distribuição do stock de preservativos a enviar para os países mais afectados pela Sida, como o Senegal, Tanzânia, Angola, Quénia ou Burkina Faso.
O Papa Bento XVI iniciou ontem nos Camarões a sua primeira viagem a África, que o conduzirá ainda a Angola, onde chegará no dia 20.


