A Audiência Nacional espanhola aceitou analisar uma queixa dirigida contra sete militares israelitas, entre eles o ex-ministro da Defesa Benjamin Ben-Eliezer, por crimes contra a humanidade, relativa a um ataque na Faixa de Gaza, em Julho de 2002, em que morreram um líder do Hamas e 14 civis.
Segundo o diário espanhol “El Mundo”, a decisão do juiz Fernando Andreu, surge em resposta a uma queixa apresentada pelo Centro Palestiniano dos Direitos Humanos e prende-se com uma bomba, lançada por um avião israelita durante um bombardeamento, que resultou na destruição da casa de Salah Shehade, destacado dirigente do Hamas, e de outros 14 civis, "na sua maioria crianças e bebés". Outras 150 pessoas ficaram feridas neste ataque.
Andreu enviou uma carta rogatória às autoridades palestinianas, para que recolham testemunhos de sobreviventes do ataque, e decidiu notificar o Governo israelita do início deste processo. O magistrado recorda ainda que já tinha enviado uma carta rogatória a Israel, para saber se os factos em causa estavam a ser alvo de uma investigação nacional, mas nunca obteve resposta.
O juiz da Audiência Nacional justifica a decisão de avançar com este processo por entender que "todo o ataque contra a população civil é ilegítimo", equivalendo à "concretização de um assassinato", e com base no "príncípio da jurisprudência universal" reconhecida pela legislação espanhola em matéria de crimes contra a humanidade, cita a edição online do "El Mundo".


