Espanha apresenta nova iniciativa europeia de paz para o Médio Oriente

16.11.2006 - 15:49 Por AFP, AP
O governo espanhol vai promover, juntamente com os governos francês e italiano, uma nova iniciativa de paz para o Médio Oriente, que terá como ponto de partida "o fim imediato da violência" entre israelitas e palestinianos e a realização de uma conferência internacional.
"Não podemos continuar impassíveis face ao horror que continua a desenrolar-se perante os nossos olhos", afirmou o presidente do governo espanhol, José Luis Zapatero, durante uma conferência imprensa no âmbito da XIX cimeira franco-espanhola, a decorrer em Girona.
Zapatero, que nos últimos meses tem sublinhado a necessidade de criar pontes entre o Ocidente e o Islão, sustenta que "a paz entre Israel e os palestinianos contribuirá para um clima de paz na cena internacional". Ainda esta semana, a Iniciativa para a Aliança de Civilizações, um fórum patrocinado pela ONU e apoiado pelos governos de Espanha e da Turquia, concluía que o conflito no Médio Oriente era uma das principais causas do crescente fosso entre as sociedades ocidentais e muçulmanas.
Citando a morte de 19 civis num ataque israelita contra a cidade palestiniana de Beit Hanun, Zapatero argumenta que a situação na região "atingiu um nível de deterioração que exige uma acção urgente e determinada da comunidade internacional".
Nesse sentido, convidou o Presidente francês, Jacques Chirac, a co-liderar uma nova iniciativa de paz para a região, convite que será estendido ao primeiro-ministro italiano, Romano Prodi.
Zapatero espera obter também o apoio do Reino Unido e da Alemanha para esta iniciativa, que, a concretizar-se, poderá representar o abandono definitivo do roteiro para a paz, um plano elaborado pelos EUA em 2003, com o apoio da ONU, da UE e da Rússia, mas que nunca chegou a ser implementado pelas duas partes.
Presente no encontro, Chirac concordou que é necessário "pôr fim à situação cada vez mais dramática no Médio Oriente" e sustentou que os três países, "em concordância com a União Europeia", vão liderar uma "acção conjunta para desencadear reformas indispensáveis na região, tanto políticas como morais".
Segundo Zapatero, o projecto europeu assenta em cinco pilares essenciais: um cessar-fogo imediato; a formação de um governo de unidade nacional palestiniano que possa ser reconhecido internacionalmente; a troca de prisioneiros, incluindo os sequestrados pela guerrilha libanesa do Hezbollah; o envio de uma missão internacional a Gaza para monitorizar o cessar-fogo; e o reatamento das negociações entre o primeiro-ministro israelita e o presidente palestiniano.
Cumpridas estas etapas, o plano prevê a realização de uma conferência internacional para lançar as bases de um futuro acordo israelo-palestiniana, durante a qual seriam discutidos algumas das questões que mais dividem as duas partes, como a definição das fronteiras, o estatuto de Jerusalém ou o direito de regresso dos refugiados palestinianos.
O governante espanhol não revelou quando nem onde poderá realizar-se esse encontro, mas as agências internacionais lembram que Espanha acolheu em 1991 um conferência semelhante que abriu caminho aos acordos de Oslo, que levaram à criação da Autoridade Palestiniana.
Até ao momento não houve reacção a esta iniciativa por parte de israelitas e palestinianos. Também a Administração norte-americana se mantém em silêncio.
O projecto de Zapatero é anunciado numa altura em que se multiplicam vozes a favor de um maior envolvimento da União Europeia na resolução das questões internacionais, em particular no Médio Oriente. A derrota dos republicanos nas eleições intercalares levou os europeus a acreditar que os EUA poderão abandonar o unilateralismo dos últimos anos em favor de uma maior cooperação transatlântica.


