Erdogan ameaçou deportar 100 mil arménios ilegais

17.03.2010 - 22:06 Por Adelino Gomes, Cláudia Sobral
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, avisou, numa entrevista à BBC turca, na terça-feira, que pode decidir deportar os 100 mil arménios que vivem ilegalmente na Turquia.
Perguntaram-lhe o que pensava sobre as resoluções que reconhecem o genocídio arménio, recentemente votadas nos Estados Unidos e na Suécia, e a resposta foi dada em jeito de ameaça: “Actualmente, há 170 mil arménios a viver no nosso país. Apenas 70 mil são cidadãos turcos, mas estamos a tolerar os outros 100 mil. Se necessário, podemos ter de dizer a estes 100 mil para voltarem para o seu país. Não tenho de os manter no meu país”, disse.
Erdogan considera que é a diáspora arménia que está por trás das resoluções de reconhecimento do genocídio pelos países europeus. “A Arménia tem uma decisão importante a tomar. Devia libertar-se da ligação à diáspora”, afirmou. E foi ainda mais longe ao dizer que qualquer país que se preocupe com a Arménia, como EUA, França ou Rússia, deveria, em primeiro lugar, ajudar o país nessa tarefa.
O primeiro-ministro arménio, Tigran Sarkissian, já condenou as declarações de Erdogan. “Este tipo de declarações políticas não contribui para melhorar as relações entre os nossos dois Estados”, disse no Parlamento, citado pela AFP. “Ao fazer estas declarações, o primeiro-ministro turco traz-nos imediatamente à memória os eventos de 1915”, acrescentou, referindo-se ao massacre de arménios cometido pelos otomanos.
Estas declarações surgiram pouco depois de a Turquia ter retirado os seus embaixadores de Washington e de Estocolmo, por estes países terem reconhecido o genocídio arménio. Cláudia Sobral

